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Incêndios no Pantanal: por que o fogo ainda ameaça o ecossistema mesmo após a chegada das chuvas

12/11/2020

Na terça-feira passada dia 3, duas onças-pintadas foram resgatadas após serem vítimas de um incêndio na região da Serra do Amolar, em Mato Grosso do Sul. Uma delas morreu horas depois. Animais de outras espécies também foram resgatados na região, que é uma importante área para a preservação da fauna do Pantanal.
"A Serra do Amolar interliga diversas áreas preservadas, por isso é fundamental para os animais", explica o veterinário Diego Viana, pesquisador do Instituto Homem Pantaneiro (IHP).
O episódio ilustra as dificuldades ainda enfrentadas no Pantanal por causa dos incêndios. Cientistas consideram que, com as chuvas recentes, o pior período do ano já passou. Mas alguns lugares ainda estão em chamas.
De janeiro a outubro, incêndios atingiram cerca de 4,1 milhões de hectares do bioma, segundo o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Isso corresponde a 28% do Pantanal brasileiro, segundo o Instituto SOS Pantanal.
O ano de 2020 foi o que teve mais registros de fogo no Pantanal desde o fim da década de 90, quando o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou. De janeiro até dia 6 de novembro, houve 21.451 focos de calor (que costumam representar incêndios). Em 2019, por exemplo, foram 10.025.
As primeiras chuvas no Pantanal, no fim de setembro, trouxeram alívio. Mas especialistas dizem que precipitações intensas, fundamentais para controlar o fogo, começaram só em meados de outubro, e ainda há incêndios preocupantes.
Nos últimos dias, houve incêndios na Serra do Amolar, no Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e no território indígena Guató, próximos da fronteira com a Bolívia.
Análises iniciais indicam que os focos começaram naturalmente, por causa de raios, que foram intensos com as chuvas recentes. Especialistas apontam ainda que alguns dos incêndios atuais podem ter sido causados por chamas que reacenderam em áreas que já haviam sido queimadas, principalmente nas regiões onde choveu menos.
Incêndios costumam reacender em regiões com muita vegetação acumulada, em razão do fogo de turfa, também chamado de "fogo subterrâneo", que queima sem que as pessoas percebam.
O fogo de turfa surge por causa dos sucessivos períodos de secas e cheias nas estações da região, que criam camadas de matéria orgânica no solo. Os brigadistas costumam dizer que é como se fosse um sanduíche: uma camada de terra, outra de vegetação, outra de terra e assim por diante.
Ao longo dos anos, esse material se torna altamente inflamável. Quando essa vegetação é afetada por queimadas, o fogo pode atingir um dessas camadas mais profundas, ricas em matéria orgânica e altamente inflamáveis.
Apesar de parecer controlado à primeira vista, esse fogo pode se espalhar por baixo da camada mais superficial da terra até encontrar alguma fissura e uma vegetação mais seca para emergir.

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