
12/11/2020
Esta semana começou com a notícia de uma vacina contra a Covid-19 "90% eficaz" da empresa Pfizer. Depois, a Rússia divulgou que a vacina contra a Covid-19 Sputnik V tem uma eficácia de 92%. Mas há mais vacinas em desenvolvimento. E uma delas deve seu funcionamento a uma árvore que é sagrada para os indígenas mapuches, do Chile.
Escondido na casca cinza, escura e rachada de uma bela árvore milenar endêmica do Chile, está o ingrediente fundamental para a cobiçada vacina que a farmacêutica sueco-americana Novavax já começou a testar em humanos.
É uma vacina que acaba de obter a designação para via rápida e está em fase final de teste clínico no Reino Unido. Este mês começará seus últimos testes nos Estados Unidos, México e Porto Rico.
O elemento-chave para esta vacina está em uma árvore que os indígenas mapuches usam desde a antiguidade como planta medicinal para curar todo tipo de enfermidades, desde problemas estomacais e respiratórios a problemas de pele e reumatismo, e cujas propriedades curativas são conhecidas (e aproveitadas) pela indústria cosmética, alimentar e farmacêutica há décadas.
A quilaia (Quilaia saponaria, se você perguntar a um cientista, e küllay para um Mapuche) é conhecida como a "árvore de casca de sabão" por suas saponinas vegetais, moléculas que espumam quando entram em contato com a água e que se tornaram um reforço cobiçado para a resposta imune de várias vacinas.
Uma delas é a Novavax, que recebeu o maior financiamento do governo Donald Trump para desenvolver a vacina contra a Covid-19.
Mas o que há de especial na casca da quilaia para o desenvolvimento dessa vacina?
O ponto-chave é que as saponinas da quilaia podem ser transformadas em adjuvantes — substâncias que amplificam o efeito da vacina. Mas o processo é complexo.
"Os adjuvantes levam muitos anos para serem desenvolvidos e apoiam a resposta imunológica da vacina, tornando-a maior e de melhor qualidade", disse Gregory Glenn, chefe de pesquisa e desenvolvimento da Novavax, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Glenn diz que esses compostos "fornecem ao nosso sistema imunológico um importante sinal de alarme para reagir à vacina". No caso do novo coronavírus, isso seria vital.
"A resposta do sistema imunológico a infecções respiratórias virais, como gripe ou covid, tem que ser muito alta e robusta porque, apesar de termos anticorpos, ficamos doentes. Isso acontece porque nossa imunidade é muito baixa — ou nula, no caso da covid — para bloquear a infecção", explica Glenn.
"É importante adicionar um adjuvante à vacina para obter uma resposta maior que nos proteja melhor", resume o cientista.
"O que fazemos é produzir uma proteína específica a partir do genoma do vírus e a introduzimos em uma partícula. Também fazemos o adjuvante (a partir das saponinas da quilaia), que introduzimos em outra partícula. Esses adjuvantes são fundamentais para o nosso corpo reconhecer a proteína e, portanto, geram uma resposta poderosa."
As saponinas são encontradas em muitas plantas, mas até agora apenas as da quilaia se mostraram eficazes para a indústria farmacêutica, que após anos de pesquisas encontrou uma fórmula para transformá-las em adjuvantes que não são tóxicos para humanos.
A quilaia concentra as saponinas em sua casca e elas geralmente são extraídas do tronco.
A matéria completa pode ser lida no G1
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