
10/11/2020
Munidos de dedos verdes e de muita vontade de deixar a cidade mais aprazível, uma turma de moradores do Rio tem arregaçado as mangas e colocado as mãos na terra. A ideia é preservar áreas florestais e revitalizar canteiros nas ruas. O arquiteto ambientalista José Guimaraens, de 37 anos, é um dos que estão à frente da iniciativa e luta pela doação de mudas, sementes e outros recursos necessários ao plantio.
— Eu encaro isso como um serviço do poder público, mas que a gente tomou como nosso. Se não fizermos nada, o espaço da árvore vai ser ocupado por cimento e estará perdido para sempre. De tanto ver isso, nosso grupo se rebelou. Se um órgão tira a árvore, a gente planta de novo para não perder o ponto — comenta ele, que já entrou em conflito com pessoas que apoiavam uma derrubada de árvores na Zona Sul.
O grupo do qual José faz parte foi criado em 2015 pelo analista de sistemas Pedro Maia, de 39 anos, junto com um amigo. Hoje, conta com 50 voluntários, incluindo especialistas em reflorestamento urbano. Em 2019, eles conseguiram plantar na Zona Sul 102 árvores de várias espécies, entre elas pau-brasil, mutambo, mirindiba, cedro e figueira. Este ano, a pandemia atrapalhou um pouco o trabalho, mas, mesmo diante das dificuldades, outras 87 foram plantadas.
— Sempre fomos envolvidos com essa questão ambiental. Então, começamos a ver como podíamos ajudar dentro do cenário de destruição das florestas. Num primeiro momento, a adesão foi pequena. Mas, depois, mais pessoas vieram ajudar, começaram a doar mudas e sementes — relembra Pedro.
Há seis anos no Rio, a espanhola Diana Casali, de 44, encontrou no grupo uma forma de suprir a necessidade de mexer com a terra.
— Na Espanha, eu ia a uma horta comunitária: era o meio de eu me conectar com a natureza. Tocar a terra, para mim, é uma forma de alegria e de recuperar certa humanidade. Depois de cinco anos morando aqui, sentia falta dessa atividade. No grupo, encontrei pessoas que têm ideias sobre a natureza muito semelhantes às minhas — diz ela, que participa da iniciativa há um ano.
Na Zona Oeste, Patrícia Carvalho, moradora da comunidade do Cesarão, faz trabalho semelhante. A funcionária pública, de 44 anos, criou o projeto Reflorestar Zona Oeste, que oferece oficinas de educação ambiental e promove ações de reflorestamento na região de Santa Cruz. Até o momento, 250 árvores foram plantadas pelo grupo:
— Por conta da pandemia, não estamos fazendo as ações. Mas montamos a composteira e o viveiro num espaço no Cesarão. Vamos usá-lo para a biblioteca comunitária e as oficinas.
Fonte: O Globo
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