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Tragédia de Mariana, 5 anos: sem julgamento ou recuperação ambiental, 5 vidas contam os impactos no período

05/11/2020

Esperança, preparação para o inesperado, injustiça, tristeza e revolta. Hoje dia 5 de novembro, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), completa cinco anos e, com essas palavras e expressões, cinco pessoas que tiveram as vidas impactadas pelo maior desastre ambiental do país resumem estes 60 meses.
A barragem da Samarco, cujas donas são a Vale e BHP Billiton, rompeu-se na tarde do dia 5 de novembro de 2015, provocando 19 mortes. Além de destruir casas, o mar de lama devastou o Rio Doce e atingiu o oceano no Espírito Santo.
Nestes mais de 1,8 mil dias, os responsáveis pela tragédia não foram julgados. Em 2019, o crime de homicídio foi retirado do processo. As mortes provocadas pelo rompimento da barragem foram consideradas pela Justiça como consequência da inundação causada pelo rompimento.
Durante este período, as comunidades destruídas não foram reconstruídas e ainda faltam respostas para a recuperação do meio ambiente.
Em mais um dia 5 de novembro sem a reparação definitiva dos danos causados rompimento da barragem, o G1 relembra os primeiros momentos do desastre pela perspectiva de cinco atingidos: um sobrevivente, um bombeiro, um promotor, uma ativista e um pescador. Eles também falam sobre impactos da tragédia em suas vidas ao longo desses cinco anos.
Enquanto a estrutura de Fundão ruía, Francisco de Paula Felipe, de 51 anos, estava na sua casa, em Bento Rodrigues, uma das comunidades arrasadas pela enxurrada de rejeitos. Naquela tarde, acompanhado da mulher, Marli de Fátima Felipe, e da sogra, Maria das Graças Celestino Silva, a dona Gracita, ele assistia na TV uma novela que falava sobre a bíblia.
O barulho da lama varrendo o que encontrava pela frente é algo que Francisco não se esquece. Era um estrondo que nunca tinha ouvido. Pensou em diversas possibilidades, até mesmo na barragem. Não demorou muito para que visse a avalanche de rejeito engolindo o distrito em que viveu por mais de 30 anos.
Como a casa de Francisco ficava em uma área mais alta, ele, a mulher e as duas filhas se salvaram ilesos. Mas a sogra dele saiu do local pouco tempo antes.
"Quando foi por volta das 15h40, ela [dona Gracita] foi para casa e mais tarde voltaria. Desceu e não voltou mais", lembra. A sogra de Francisco, que tinha 64 anos, é uma das 19 vítimas da tragédia.
“A vida é uma coisa que nunca mais se recupera. Bens materiais, a gente consegue por outros no lugar, mas a vida não tem como voltar de novo. Só fica a saudade”, diz ele.
Além da sogra de Francisco, a mãe dele, Marcelina Xavier Felipe, de 80 anos, foi arrastada pela lama. Mas moradores da região conseguiram salvá-la. A idosa precisou ser internada e, mesmo cinco anos depois, convive com dores provocadas por sequelas do desastre.
Desde o dia em que foi obrigado a deixar tudo para trás, Francisco já teve quatro endereços. Hoje vive em um apartamento alugado pela Fundação Renova, entidade criada pelas mineradoras para gerir as ações de reparação dos danos causados pelo desastre.
Passados 60 meses da tragédia, ele afirma que ainda não foi indenizado porque, segundo Francisco, os valores estão sendo discutidos. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), de 925 núcleos familiares cadastrados em Mariana, até outubro, apenas 345 haviam recebido indenizações finais.
Ao longo destes cinco anos, nem sequer o projeto da casa de Francisco foi finalizado. Além dele, outras cerca de 210 famílias aguardam a conclusão das obras do novo Bento Rodrigues. O prazo fixado pela Justiça para a entrega do reassentamento é fevereiro de 2021, mas a pandemia do coronavírus impactou o andamento dos trabalhos, que foram suspensos duas vezes neste ano.

A matéria completa pode ser lida no G1

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