
05/11/2020
O maior iceberg do mundo, conhecido como A68, está em rota de colisão com o território ultramarino britânico da Geórgia do Sul.
O gigante de gelo que se descolou da Antártida há três anos tem tamanho semelhante ao da ilha do Atlântico Sul, e há uma grande possibilidade de que o iceberg possa acabar encalhando na costa desse paraíso de vida selvagem.
Se isso acontecer, será uma grave ameaça para a fauna local, especialmente pinguins e focas.
Isso porque as rotas normais de forrageamento dos animais podem ser bloqueadas, impedindo-os de alimentar seus filhotes adequadamente.
E nem é preciso dizer que todas as criaturas que vivem no fundo do mar acabariam mortas no local onde o A68 "atracar" — algo que levaria muito tempo para ser revertido.
"Os ecossistemas podem e irão se recuperar, é claro, mas há o perigo de que, se esse iceberg ficar preso, possa permanecer lá por 10 anos", diz o professor Geraint Tarling do British Antarctic Survey (BAS), órgão responsável pelos assuntos relativos aos interesses do Reino Unido na Antártica.
"E isso faria uma grande diferença, não apenas para o ecossistema da Geórgia do Sul, mas também para sua economia ", acrescenta.
O território ultramarino britânico é uma espécie de cemitério dos maiores icebergs da Antártica.
Esses gigantes se descolam vez ou outra do continente gelado em fortes correntes, e acabam na parte rasa da plataforma continental que circunda a ilha remota.
O A68 — que tem a aparência de uma mão com um dedo para cima — tem andado neste "beco do iceberg" desde que se descolou da Antártica em meados de 2017. Agora está a apenas algumas centenas de quilômetros a sudoeste do território da Geórgia do Sul.
Com uma área equivalente a quase três vezes a cidade de São Paulo, o iceberg pesa centenas de bilhões de toneladas. Mas sua espessura relativa (uma profundidade submersa de talvez 200 metros ou menos) significa que tem o potencial de flutuar até a costa da Geórgia do Sul antes de encalhar.
"Um iceberg tem implicações enormes para onde predadores terrestres podem ser capazes de forragear", explica Tarling.
"Quando falamos sobre pinguins e focas durante o período que é realmente crucial para esses animais — a criação de filhotes — a distância real que eles têm que percorrer para encontrar comida (peixe e krill) realmente importa. Se eles têm que fazer um grande desvio, significa que não vão voltar para seus filhos a tempo de evitar que morram de fome nesse ínterim. "
Quando o colosso A38 aterrissou na Geórgia do Sul em 2004, inúmeros filhotes de pinguins e filhotes de foca mortos foram encontrados nas praias locais.
Com calado de cerca de 200m, o A68 tem potencial para se prender na plataforma rasa ao redor da ilha
O pesquisador do BAS está tentando organizar recursos para estudar A68 na Geórgia do Sul, caso o pior cenário se confirme e o iceberg alcance uma das principais áreas produtivas para a vida selvagem e a indústria pesqueira local.
Os impactos potenciais são diversos — e nem todos negativos, enfatiza.
Por exemplo, os icebergs trazem consigo enormes quantidades de poeira que fertilizarão o plâncton oceânico ao seu redor, e esse benefício irá então se espalhar pela cadeia alimentar.
Embora as imagens de satélite sugiram que o A68 está em rota de colisão com a Geórgia do Sul, isso pode não acontecer. Tudo é possível, diz Peter Fretwell, especialista em mapeamento e sensoriamento remoto da BAS.
Leia a matéria na íntegra no G1
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