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O ´muro vivo´ construído para conter o deserto do Saara, que não para de crescer

03/11/2020

Você deve prestar muita atenção por onde anda em Paga, no extremo norte de Gana. Se caminhar pela parte errada desta pequena cidade, na fronteira com Burkina Faso, corre o risco de ficar cara a cara com um crocodilo.
A população local cultivou uma relação assustadoramente próxima com esses répteis, que vivem em lagos "sagrados" ao redor da cidade.
Reza a lenda que o primeiro líder de Paga foi salvo por um crocodilo durante uma expedição de caça – e decretou que daquele dia em diante nenhum membro do seu povo faria mal aos animais.
Hoje, os moradores ainda cuidam dos crocodilos, alimentando e protegendo os animais. Aparentemente, as mulheres podem lavar suas roupas nas lagoas sem medo, e algumas almas corajosas até nadam com eles.
Os turistas, atraídos pela promessa de ver crocodilos "amigáveis", são incentivados a posar para fotos tocando os répteis. É supostamente seguro abordar os animais, desde que você faça isso por trás.
Mas Paga e seus crocodilos enfrentam a ameaça do avanço do deserto ao seu redor. Localizada no extremo sul da região semiárida do Sahel, faixa de terra ao sul do deserto do Saara que se estende de leste a oeste do continente africano, a área circundante de Paga é coberta por um solo arenoso que se dispersa facilmente.
As árvores retorcidas e os arbustos atrofiados, perfeitamente adaptados para lidar com os períodos de seca que atingem a região, ajudam a fixar o solo.
Mas a crescente população de Paga e das cidades vizinhas levou à derrubada de muitas árvores, para fornecer combustível e material de construção, além de abrir caminho para terras agrícolas.
Sem a vegetação para fixar o solo, ele é simplesmente varrido pelo vento e pelas fortes tempestades. Com isso, as plantações e a vegetação selvagem ficam sem opção para criar raízes. E a terra está se transformando em um deserto.
"Há muita degradação no nosso meio ambiente, porque há muito desmatamento", explica Julius Awaregya, fundador de um grupo ambiental em Paga.
"Isso tem sérias implicações para as futuras gerações, por isso precisamos conservar o que temos."
Awaregya está atualmente ajudando a coordenar os esforços para conter o avanço do deserto – construindo, entre outras coisas, um muro.
Mas não se trata de um muro qualquer, feito de tijolo, pedra ou concreto. Este muro é formado por troncos, galhos e folhas – uma barreira verde viva para deter o deserto quase sem vida.

A matéria completa pode ser lida no G1

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