UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Nasa diz que encontrou moléculas de água na superfície da Lua

27/10/2020

Dois estudos publicados nesta segunda-feira (26) na revista científica "Nature Astronomy" tratam da existência de água na superfície lunar. O mais relevante deles, conduzido pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, relata ter localizado moléculas de H2O presa em grãos minerais.
Na visão de cientistas, o anúncio da agência espacial americana é a primeira confirmação de indícios já levantados por pesquisadores desde a década passada.
A primeira pesquisa foi conduzida pela Nasa, que relatou ter localizado moléculas de água presas em grãos minerais. A descoberta foi feita na face da Lua que recebe a iluminação do Sol e foi apontada como a "prova química" da existência de água na superfície lunar.
Casey Honniball, pesquisadora da Nasa e principal autora do estudo, destaca que a detecção feita em sua pesquisa não é de água em forma de gelo.
"São apenas as moléculas de água – porque estão tão espalhadas que não interagem umas com as outras para formar gelo ou estar na forma líquida" - Casey Honniball, pesquisadora da Nasa
Os pesquisadores usaram dados do observatório Sofia, uma aeronave Boeing 747SP modificada para carregar um telescópio capaz de mostrar uma visão mais ampla do sistema solar e do universo.
O observatório detectou moléculas de água na Cratera Clavius, uma das maiores visíveis da Terra. Segundo o estudo, trata-se da primeira vez em que um grupo de pesquisadores foi capaz de diferenciar a molécula H2O (a fórmula química da água) de outro composto químico (hidroxila, OH).
O segundo estudo foi conduzido pelo departamento de astrofísica da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, o trabalho revela a existência de uma multidão de microcrateras na área da Lua que não recebe a luz do Sol. Os pesquisadores afirmam que, no fundo dessas microcrateras, há a possibilidade de haver água congelada.
"Imagine-se na Lua, perto de um de seus polos: você veria uma miríade de pequenas sombras que preenchem a superfície; a maioria delas são menores do que uma moeda. Cada uma seria extremamente fria, o suficiente para conter gelo", descreve Paul Hayne, pesquisador da Universidade do Colorado.
"Nossos resultados sugerem que a água pode ser muito mais espalhada nas regiões polares da Lua do que se pensava anteriormente, tornando-a mais fácil de acessar, extrair e analisar", afirma o pesquisador da Universidade do Colorado.
A equipe da Universidade do Colorado usou dados de dois instrumentos do orbitador de reconhecimento lunar da Nasa, o LRO. Combinando os dados com modelos 3D, eles conseguiram reproduzir o tamanho e a distribuição das sombras, em escalas menores que um milímetro.
Analisando o estudo da Nasa, o astrônomo Cássio Barbosa explica que o anúncio "é uma confirmação direta da existência de água na lua", sobre a qual já existiam suspeitas.
"Os métodos anteriores davam margem a dúvidas, ainda que pequenas. Esse resultado é muito mais robusto" - Cássio Barbosa, astrônomo
De acordo com Cássio, a descoberta é estratégica: ela pode ser útil para a colonização da Lua. "A água pode ser usada para abastecer as estações espaciais, mas também pode ser decomposta em hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio, quando queima, libera muita energia e pode servir de combustível. Já o oxigênio servirá para manter a atmosfera dessa base lunar", disse Cássio.
A água encontrada na Lua foi vista como um recurso potencial pela Nasa, que atualmente desenvolve, desde 2019, o programa Artemis para enviar astronautas americanos de volta à Lua nos próximos anos.
Transportar água para o espaço custa milhares de dólares por galão. A expectativa com essas e outras futuras descobertas é que elas apontem um caminho viável para que novos exploradores possam usar a água lunar não apenas para matar a sede, mas também para reabastecer seus foguetes.
Sem uma atmosfera capaz de proteger o solo dos raios do Sol, os cientistas supunham que a superfície da Lua estava seca até os anos 1990. Na década passada, contudo, uma espaçonave em órbita encontrou indícios de gelo em crateras grandes e inacessíveis perto dos polos lunares.
O primeiro passo na confirmação da existência de água na Lua ocorreu em 2008, quando pesquisadores descobriram moléculas de água dentro do magma trazido por astronautas das missões Apolo.
Depois isso, em 2009, imagens da espaçonave Chandrayaan-1, da Índia, registraram assinaturas consistentes de reflexos de água na luz na superfície da Lua.
Mesmo assim, as limitações técnicas tornaram impossível saber se realmente era água ou moléculas de hidroxila (que são formadas por um átomo de oxigênio e um átomo de hidrogênio) em minerais.
Em 2017, cientistas da Universidade de Brown (Estados Unidos) publicaram um estudo na revista Nature na qual afirmavam que, usando espectômetros, conseguiram ver indícios do líquido preso no interior de rochas através da análise do comportamento da luz refletida pela Lua.

Para saber o que apontam os estudos, acesse o G1

Novidades

Obras de contenção de encostas e enchentes no Rio tem cronograma acelerado por causa dos efeitos do El Niño

21/07/2026

Algumas das obras estruturais realizadas pela Prefeitura do Rio tiveram o cronograma acelerado como ...

Recife vai criar modelo de coleta e reciclagem de embalagens

21/07/2026

O Recife passa a ocupar uma posição estratégica na transição para a economia circular no Brasil. Uma...

Amazônia fecha 1º semestre com menor desmatamento em 10 anos

21/07/2026

Os alertas de desmatamento na Amazônia, no primeiro semestre de 2026, apontam para uma tendência ani...

Amazônia pode não se recuperar de seca do último El Niño mesmo após sete anos, diz estudo

21/07/2026

Dois anos após as secas históricas na amazônia, um novo El Niño volta a ameaçar a floresta. A mata n...