
22/10/2020
Dawn Prince-Hughes diz que aprendeu a ser humana com os gorilas. Ela tem Síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo, e desde criança apresentava dificuldade de interação social.
À medida que crescia, foi vítima de bullying na escola, se envolveu com drogas e acabou indo morar na rua, se tornando dançarina de shows eróticos para sobreviver.
Em entrevista à jornalista Jo Fidgen, do programa de rádio Outlook, da BBC, Prince-Hughes conta como uma ida ao zoológico mudou sua vida.
Ela não só aprendeu com os gorilas as regras sociais do comportamento humano, como acabou se tornando uma respeitada antropóloga especializada em etologia e primatologia, autora de vários livros.
Aos 36 anos, a americana Dawn Prince-Hughes foi diagnosticada com Síndrome de Asperger, condição também conhecida como autismo de alto desempenho.
Embora tenha as habilidades intelectuais preservadas, quem tem Asperger pode apresentar dificuldade de interação social - sobretudo, de interpretar o comportamento de outras pessoas.
O diagnóstico dela pode ter sido tardio, mas desde a infância Prince-Hughes teve que lidar com os desafios impostos pela condição, como a sensibilidade sensorial.
"Tudo era mais intenso para mim do que para as outras pessoas. A luz era mais brilhante; o som mais alto; o toque, doloroso; minhas roupas arranhavam, embora o tecido fosse macio."
Ela também apresentava padrões repetitivos de comportamento: "Eu queria que as coisas fossem muito previsíveis, a gente tinha que fazer tudo num determinado horário, pegar um determinado caminho para a escola", relembra.
E acabou se tornou um alvo fácil para outras crianças que praticavam bullying na escola.
"Eles pensavam que eu era uma aberração. E entrei em uma espécie de espiral decadente, à medida que me sentia cada vez mais rejeitada. Quanto mais estranha eu me tornava, mais eles me rejeitavam."
O fato é que o bullying foi se tornando mais agressivo, o que levou Prince-Hughes a beber como forma de lidar com a situação - ela conta que tomava vinho entre uma aula e outra.
"Eu bebia muito. As coisas se tornaram perigosas para mim na escola. As pessoas começaram a me atacar fisicamente, ameaçando me matar."
Foi assim que, aos 16 anos, ela acabou largando os estudos e indo morar na rua.
"Eu simplesmente comecei a vagar por aí, ia para qualquer lugar com qualquer pessoa que tivesse uma casa ou me oferecesse drogas e álcool", conta. "Eu só queria ficar drogada ou chapada. Era tudo o que eu queria fazer até morrer. Só ficava olhando meu relógio esperando a hora de morrer."
E por cinco anos, essa foi sua vida. Até que foi convidada para ser dançarina de um Peep Show.
A matéria completa pode ser lida no G1
Obras de contenção de encostas e enchentes no Rio tem cronograma acelerado por causa dos efeitos do El Niño
21/07/2026
Recife vai criar modelo de coleta e reciclagem de embalagens
21/07/2026
Amazônia fecha 1º semestre com menor desmatamento em 10 anos
21/07/2026
Amazônia pode não se recuperar de seca do último El Niño mesmo após sete anos, diz estudo
21/07/2026
Inverno transforma o comportamento da fauna brasileira
21/07/2026
Agenda 2030: longe das metas, perto das cidades
21/07/2026
