
13/10/2020
A Amazônia Legal teve uma área de 964 km² sob alerta de desmatamento em setembro, a segunda maior em cinco anos, mostram dados atualizados na última sexta-feira (9) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Já o Cerrado teve 458 km² de área sob alerta.
Os alertas foram feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que produz sinais diários de alteração na cobertura florestal para áreas maiores que 3 hectares (0,03 km²), tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação florestal (exploração de madeira, mineração, queimadas e outras).
O sistema aponta áreas com marcas de devastação que precisam ser fiscalizadas pelo Ibama, e não as taxas oficiais de desmatamento, que costumam ser maiores do que as registradas pelo Deter.
"Essa é segunda pior taxa da série histórica do Deter, só perdendo para o ano passado. Isso, juntamente com as queimadas – que no mês de setembro atingiram um recorde histórico dos últimos dez anos na Amazônia, no Pantanal e no Cerrado – mostra que esse governo não tem uma política ambiental, tampouco um plano de combate e prevenção ao desmatamento e às queimadas", avaliou Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace.
A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão. A maior parte da área desmatada da floresta em setembro foi no Pará.
“Os números do desmatamento continuam altos e inaceitáveis. Em setembro, a cada minuto, uma área do tamanho de 2 campos de futebol foi derrubada de forma ilegal", afirmou Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, em comunicado.
"Enquanto o vice-presidente demonstra o mesmo negacionismo sobre a crise ambiental do presidente e do ministro do Meio Ambiente, o crime corre solto na Amazônia, com a certeza da impunidade”, acrescentou Astrini.
Os alertas do Deter não representam, entretanto, a taxa oficial de desmatamento considerada pelo governo – essa é medida por outro sistema do Inpe, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), que trabalha com imagens de melhor resolução espacial.
A taxa oficial é divulgada uma vez por ano e também considera os números de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Os dados de 2019-2020 ainda não foram divulgados, mas, no ano passado, a taxa oficial foi 42% maior do que apontavam os satélites do Deter. Os números do Prodes costumam ser, historicamente, maiores do que os do Deter.
O desmatamento e as queimadas estão relacionados. O fogo é parte da estratégia de "limpeza" do solo que foi desmatado para posteriormente ser usado na pecuária ou no plantio. É o chamado "ciclo de desmatamento da Amazônia".
O número de focos de incêndio registrados na Amazônia de janeiro a setembro deste ano é o maior desde 2010, mostram dados do Inpe. Naquele ano, foram 102.409 pontos de fogo na floresta de 1º de janeiro a 30 de setembro. Em 2020, no mesmo período, foram 76.030.
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