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Em meio aos incêndios no Pantanal, arara-azul pode voltar à lista dos ameaçados de extinção, diz bióloga

06/10/2020

A bióloga Neiva Guedes, maior especialista do país em araras-azuis, fez sobrevoos e visitas a campo no Pantanal de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em setembro, para verificar os impactos das queimadas sobre a espécie. E encontrou um cenário desolador: extensas áreas queimadas, perda de habitat, animais com fome e indícios do aumento da captura das aves para venda por traficantes de animais. Para Guedes, as araras-azuis podem voltar para a lista de animais ameaçados de extinção.
"Houve um misto de emoções ao sobrevoar o Pantanal por cinco dias. De início, a sensação é de desespero, de que tudo está perdido. É desolador. Mas, andando no campo, tivemos algumas surpresas. Sensações boas e outras ruins. Talvez nem tudo esteja perdido, porém, elas [araras-azuis] poderão voltar para a lista dos animais brasileiros ameaçados de extinção", afirmou ao G1.
Segundo Neiva, que é presidente do Instituto Arara Azul, o período de pós-fogo trouxe muita fome significou perda de habitat para a espécie. No Pantanal de Mato Grosso, ela cita a região do Barão de Melgaço, onde se concentra a maior população de araras-azuis livres na natureza. Já em Mato Grosso do Sul, ela fala do município de Miranda, região oeste do estado, onde está o Refúgio Ecológico Caiman, considerado o maior centro de reprodução da espécie.
Como as araras são "especialistas" e comem somente frutos das palmeiras acuri e bocaiuva, o que restou como alternativa foram os frutos queimados. Ainda conforme Neiva, isso causou lesões, semelhante a queimaduras, na cloaca (órgão por onde aves e alguns outros animais excretam seus resíduos orgânicos: fezes e urina). Outro problema foi a perda de ninhos, por conta das árvores incendiadas.
Na questão criminal, o que preocupa os especialistas da espécie é a continuidade do tráfico deste animais. No dia 26 de setembro, por exemplo, a polícia interceptou dois paraguaios tentando atravessar a fronteira com uma arara-azul em uma sacola plástica. A intenção era vender no mercado ilegal de aves.
"A PMA [Polícia Militar Ambiental] foi acionada em seguida e foi até Bela Vista. Nós percebemos que se tratava de um animal adulto, e eles [criminosos] apontaram o local exato em que pegaram a arara, e nós a devolvemos em seu habitat", explicou o tenente-coronel da PMA, Ednilson Queiroz.
Nessa segunda-feira (5) voluntários entregaram água e comida para brigadistas que trabalham no combate ao fogo no Pantanal. Animais, que sofrem com a seca, receberam alimentos. Foram arrecadados 7 mil litros de água potável e, no barco, além das garrafas, muitos voluntários também receberam cartinhas de crianças com agradecimentos.
"Como a queimada pegou praticamente em todo a vegetação, muitos animais que se alimentavam das frutas, que eram oriundas da vegetação nativa, ficaram sem ter o que comer. E é por isso que houve essa ação para tentar amenizar a situação que a gente está passando. ", afirmou o capitão Diego Ferreira.

Saiba mais no G1

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