
06/10/2020
Cansado de ver tanto lixo jogado na areia, um vendedor de açaí da praia do Barão, na Ilha do Governador, arregaçou as mangas e começou ele mesmo a recolher a sujeira deixada no local. Por conta da pandemia, Geovane Moura, de 37 anos, teve o ritmo de trabalho reduzido e decidiu resgatar as águas e a areia de onde passou sua infância. Ele batizou a iniciativa como "Movimento Barão vive". Há 5 meses Geovane acorda todos os dias às 6h para catar o lixo que as pessoas deixam no local.
“Todo lixo tem que ter um fim. Se jogar no meio ambiente ele vai ficar por aqui e pode prejudicar muito mais a natureza, que não tem culpa disso aí. Na praia, só deixa as suas pegadas, por favor. Aqui não é o lugar de jogar lixo”, afirmou o vendedor.
Por semana, ele chega a recolher cerca de 200kgs de lixo. E tem de tudo: garrafas, lâmpadas, bitucas de cigarro. Mas nos últimos meses, ele viu aumentar a quantidade de lixo hospitalar, como seringas, luvas e máscaras.
“Em 10 minutos de coleta já recolhi tampa de ventilador, tampa de perfume, que é vidro, plástico que dura 400 anos no meio ambiente”, alertou Geovane, que conta com a ajuda de seis voluntários para realizar a limpeza. A filha do Geovane tem 15 anos e aprende essas lições diariamente. Tanto, que já decidiu sua profissão: vai ser bióloga. O pai, orgulhoso, conta que ela e outros voluntários sempre ajudam a recolher o lixo, e que até outubro ele quer entregar a Praia do Barão revitalizada.
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