
01/10/2020
Quando o avião estava prestes a aterrissar em Cuiabá, capital do Mato Grosso, por problemas de estabilidade, a aeronave arremeteu e ficamos mais uns 20 minutos no ar. Durante a manobra de retorno, era possível ter uma visão tristemente privilegiada dos focos de incêndio que tomam a região.
Já em terra, o caminho de 220 km entre Cuiabá e a cidade de Cáceres, no coração do Pantanal, foi marcado pelas cinzas e cheiro de fumaça. Os animais mortos, infelizmente, faziam parte do catastrófico cenário que revela uma das maiores tragédias ambientais da história do Brasil.
O fogo já devastou uma área de mais de 3 milhões de hectares em todo o Pantanal, entre o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul. Milhões de animais já perderam a vida. Para que a extensão da destruição não seja ainda maior, há uma enorme mobilização voluntária.
Uma das principais tarefas é resgate dos animais feridos pelo fogo, com médicos veterinários e biológos constituindo a linha de frente desse trabalho.
Direto do Pantanal, Autoesporte traz os relatos da difícil missão de quem é responsável por tentar preservar o frágil equílibrio ambiental e salvar milhares de animais feridos, que protagonizam as tristes imagens que circulam na internet nas últimas semanas.
Se não houve mobilização significativa do governo federal diante da tragédia, voluntários vieram do Brasil inteiro, e até de outros países, para ajudar a combater o fogo e salvar a fauna e a flora. Ou o que ainda resta delas.
No Pantanal Sul, as equipes usam suas picapes particulares para realizarem os resgates dos animais feridos. Modificações mecânicas nos modelos são necessárias para conseguirem acessar os locais mais remotos, como conta a veterinária e bióloga especialista em serpentes Paula Helena, que está no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, cobrindo uma área de mais de 50 mil hectares.
“Eu trabalho com vida selvagem há muito tempo, então meus carros sempre foram adaptados. Se não for assim, tem lugar em que não se chega. Hoje tenho uma Mitsubishi L200 Outdoor 2008 e é com ela que eu estou fazendo os resgates. Para levar as armadilhas e capturar os animais feridos, precisamos chegar o mais próximo possível da área, então o carro tem que ser adaptado e preparado para ir até o limite”, conta. O motor da picape é um 2.5 turbodiesel de 141 cv e câmbio manual de 5 marchas.
A picape da veterinária tem suspensão modificada para ficar mais alta, reforço do chassis e um sistema e iluminação de trator, para auxiliar nas saídas noturnas.
Ela conta que além de sua picape, há outra L200, do IMASUL (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), uma Chevrolet S10 e uma Ford Ranger. Todos os modelos são de versões mais recentes de fabricação.
“Tem muito lugar que a minha picape chega e as outras, não. Semana passada, fizemos uma armadilha para capturar uma anta ferida. E de todas, adivinha qual chegou? A minha. A L200 é mais compacta e as outras são muito largas e compridas, o que dificulta a chegada em locais mais remotos para fazer os resgates. E as modificações ajudam muito também”, explica Paula.
A equipe que trabalha com ela nos resgates é formada por dois técnicos do IMASUL, um membro do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) e membros do GRAD (Grupo de Resgate de Animais em Desastres), que foi criado depois do desastre de Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015. Além de outra veterinária e alunos que estão no último ano da faculdade de medicina veterinária.
A matéria na íntegra pode ser lida na Revista Auto Esporte
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