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Cientistas dos EUA criam superenzima capaz de destruir plásticos PET rapidamente

01/10/2020

Uma equipe de cientistas dos Estados Unidos conseguiu criar uma "superenzima" capaz de destruir materiais plásticos rapidamente. O mecanismo pode ser usado, entre outras funções, para a reciclagem de produtos à base do politereftalato de etileno. Conhecido como PET, ele é largamente utilizado na produção de garrafas, carpetes e roupas, segundo a rede americana CNN. O feito foi publicado no periódico científico Procedimentos da Academia Nacional de Ciência dos EUA.
O material foi criado a partir da combinação de uma enzima já existente, batizada de PETase, com uma segunda substância chamada MHETase para catalizar o processo. Os trabalhos foram liderados pelo Centro de Inovação em Enzimas da Universidade de Portsmouth (EUA). A expectativa, agora, é que ela ajude a reduzir os volumes do plástico PET, que demora centenas de anos para se degradar.
O líder do estudo e diretor do centro, John McGeehan, disse à CNN que os resultados são animadores, mas ponderou que a super enzima ainda está longe de chegar ao mercado. Outra vantagem no aspecto da sustentabilidade é que o processo pode ser usado para reciclar materiais PET, ao invés de produzir novos por meio de combustíveis fósseis.
Através de uma máquina de raio-X, os pesquisadores analisaram a estrutura molecular da MHETase para formar a super enzima a partir da combinação com a PETase. Segungo McGeehan afirmou à emissora norte-americana, é a primeira vez que a técnica, muito utilizada na indústria de biocombustíveis, é usada na quebra de plásticos. Outras enzimas voltadas para plásticos PET são testadas ao redor do mundo e ha outras tecnologias, como o uso de vermes e larvas que destroem o material.
A poluição provocada por esses materiais atrai a preocupação de ambientalistas e cientistas ao redor do planeta. Um estudo publicado em julho na revista científica Science indicou uma tendência alarmante para o meio ambiente: a quantidade de lixo plástico que flui para os oceanos pode triplicar nos próximos 20 anos.
A pesquisa foi realizada pela organização sem fins lucrativos The Pew Charitable Trusts e a empresa SYSTEMIQ, em colaboração com a Universidade de Oxford, Universidade de Leeds, Fundação Ellen MacArthur e a Common Seas.
A conclusão dos pesquisadores acende um alerta. Segundo eles, se nenhuma ação for tomada, a quantidade de plástico que entra no mar a cada ano aumentará de 11 milhões para 29 milhões de toneladas, deixando acumulados 600 milhões de toneladas de resíduos no oceano até 2040.
Os pesquisadores chegaram às conclusões do relatório usando um modelo matemático que calcula o fluxo e a quantidade de plástico no sistema global e compara a quantidade de poluição oceânica entre 2016 e 2040 em cenários: de nenhuma mudança do aumento do fluxo de plástico projetado para o oceano, até uma revisão total, incluindo sua produção, coleta, descarte, consumo e reciclagem.
O estudo conclui que os governos e indústrias globais reduzirão a quantidade de plástico que flui para o oceano em apenas 7% até 2040.

Fonte: O Globo

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