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A silenciosa crise ambiental alimentada pelas máquinas de lavar roupas

22/09/2020

Quando somada, a quantidade de microfibras sintéticas que vão para o ambiente quando lavamos nossas roupas é surpreendente.
Cientistas americanos estimam que já tenhamos produzido cerca de 5,6 milhões de toneladas de poluição de microplásticos a partir de roupas com fibras sintéticas. É uma quantidade que se acumula no ambiente desde que começamos a usar poliéster e náilon em grande escala, na década de 1950.
Pouco mais da metade dessa massa — 2,9 milhões de toneladas — provavelmente acabou em nossos rios e mares. Isso é o equivalente a sete bilhões de jaquetas de lã, dizem os pesquisadores.
E cada vez mais esse problema de poluição por microplásticos das roupas sintéticas afeta também o solo.
A equipe da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB), que fez os cálculos, descobriu que as emissões desse poluente para o meio ambiente terrestre por ano (cerca de 176,5 mil toneladas) agora ultrapassaram as para corpos d´água (167 mil toneladas).
O motivo? Os trabalhos de tratamento de esgoto tornaram-se muito bons em capturar as fibras despejadas pela máquinas de lavar.
O que está acontecendo é que essas fibras capturadas, junto com o lodo da filtragem, estão sendo aplicadas (como parte de fertilizantes) em terras agrícolas ou simplesmente enterradas em aterros sanitários.
"Ouço pessoas dizerem que o problema da microfibra sintética da lavagem de roupas vai ser resolvido à medida que o tratamento de águas de esgoto se tornem mais difundidos e mais eficientes em todo o mundo. Mas o que estamos fazendo realmente é apenas mover o problema de uma ´área´ ambiental para outra", diz o pesquisador e ecologista Roland Geyer, da Universidade da Califórnia, à BBC News.
Trabalhando com uma série de outros especialistas, Geyer já calculou a quantidade total de plásticos virgens já produzidos (8,3 bilhões de toneladas); e o fluxo anual de plásticos nos oceanos (cerca de 8 milhões de toneladas por ano).
Esses cálculos são extremamente complicados e envolvem modelos que recorrem a algumas suposições para preencher lacunas de dados do mundo real. Eles podem não ser 100% precisos em suas descrições dos problemas, mas ao menos fornecem alguns números importantes nos quais discussões sobre possíveis soluções podem se basear.
Cerca de 14% de todo o plástico produzido é usado para fazer fibras sintéticas, principalmente para roupas. Quando essas roupas são lavadas, elas soltam pequenos fios que são muito mais finos do que um fio de cabelo humano.
Para seu relatório recém-publicado na revista científica PLoS One, a equipe da UCSB tentou descobrir quantas roupas sintéticas foram produzidas nos últimos 65 anos ou mais; como foram usadas e como foram limpas.
Considere a complexidade de tal avaliação: quantas pessoas em todo o mundo têm acesso a máquinas de lavar e quantas ainda lavam à mão; quantas dessas máquinas de lavar tem portas frontais e quantas tem portas em cima; quais os métodos e detergentes usados nas lavagens; entre outros fatores.
Tudo isso afeta a quantidade de fibras eliminada pelas máquinas. Sabe-se, por exemplo, que as pás rotativas existentes em máquinas com a porta em cima aplicam muita pressão mecânica às roupas e, portanto, eliminam mais microfibras.

Quer saber mais? Acesse a matéria no G1

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