
17/09/2020
Todos os anos, nesta mesma época, meteorologistas começam a estimar como será a temporada de furacões e tempestades tropicais que afetarão principalmente a América do Norte e o Caribe.
E como se não faltasse mais nada em 2020, pela segunda vez na história, cinco ciclones tropicais simultaneamente ativos foram detectados no oceano Atlântico.
A última vez que um fenômeno semelhante ocorreu foi em 1971, quando o mesmo número de tempestades tropicais foi registrado no Atlântico ao mesmo tempo.
De acordo com o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, por sua sigla em inglês), as formações são o furacão Paulette, o furacão Sally, as tempestades tropicais Teddy e Vicky e a depressão tropical René (que desaparecerá nas próximas horas).
Enquanto o furacão Paulette passa pelas Bahamas, o Sally está prestes a entrar nos EUA, entre os Estados de Louisiana e Mississippi.
Mas por que esse fenômeno tão incomum está ocorrendo? Isso é um anúncio do que acontecerá na temporada de furacões deste ano?
"Temos que ter algo claro: não há uma resposta única para esse fenômeno. O que vemos aqui é a soma de muitos fatores que coincidem para produzir essas cinco tempestades tropicais ao mesmo tempo", disse o meteorologista Jim Dale, da British Weather Services, à BBC News Mundo.
Dale, autor do livro Weather or Not, ressalta que a causa desse incidente não é apenas o aquecimento global.
"Esse fenômeno também apareceu em 1971, quando o aquecimento global mal era percebido. Por isso devemos sempre levar em consideração os outros elementos que fazem parte da formação dos furacões", acrescenta.
"Este ano tem sido tão incomum, com tantas tempestades tropicais, que os nomes na lista para nomear essas formações já estão se esgotando. Resta apenas um: Wilfred."
Segundo os cientistas, diversos fatores atuam na formação dos ciclones tropicais — que, de acordo com seu avanço, se transformam em furacões ou tempestades tropicais.
Isso vai depender "do aquecimento da água, das áreas de baixa pressão em águas quentes, da direção dos ventos, da absorção dos ventos quentes e frios que lhe dão velocidade, entre outros (fatores)", diz Dale.
Para o meteorologista, neste ano há dois fenômenos que podem ter influenciado o elevado número de ciclones tropicais.
"A influência da ´La Niña´, a corrente no Pacífico e, claro, o aumento das temperaturas oceânicas que afetou algumas áreas do Atlântico, especialmente na costa oeste da África, onde a maioria desses ciclones se originou, foram capazes de influenciar esse fenômeno histórico", afirma.
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