
15/09/2020
Os trabalhos do Brazilian Water Research Center (Centro Brasileiro de Pesquisas sobre a Água) - BWRC - tiveram início na tarde da última quinta-feira (10) com a realização de um workshop virtual de apresentação do centro e das áreas de atuação dos pesquisadores que farão parte da nova unidade. Financiado pela Sanasa de Campinas e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o centro de pesquisas tem sede na Unicamp e vai desenvolver pesquisas, inovações tecnológicas e promover o ensino e a cultura científica obre temas relacionados à água em uma perspectiva interdisciplinar.
Ao longo do evento, foram apresentadas informações do Brasil e do mundo que justificam a importância da realização de pesquisas que tragam inovação ao setor e auxiliem no alcance das metas de universalização do saneamento básico e do acesso à água no país. Sancionado em julho de 2020, a Lei nº 14.026, que estabelece o Marco Regulatório do Saneamento, determina como meta de coberturas para o país até dezembro de 2033 99% da população com abastecimento de água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Porém, dados de 2018 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) mostram que 16,4% dos brasileiros ainda não tem acesso à água tratada e 46,8% não têm coleta de esgoto. Do total coletado de esgoto no país, apenas 46,3% são tratados.
Em Campinas, os dados mostram uma realidade muito próxima ao que preveem as metas estabelecidas para o país. O abastecimento de água hoje atinge 99,81% da cidade e, por isso, um dos grandes focos do trabalho realizado no município é o de redução de perdas na distribuição e no faturamento, atualmente avaliados em 20,7% e 13,2%. Segundo Marco Antonio Santos, diretor técnico da Sanasa, de 1994 a 2019 foram investidos R$ 256 milhões no combate a perdas, o que resultou em uma economia de R$ 1,2 bilhão.
"Às vezes as pessoas acham que investir em controle de perdas é gastar dinheiro. Ao contrário, é investir dinheiro. É bom para a empresa, economicamente falando, e para o meio ambiente, porque a gente capta menos água de nossas fontes de captação", justificou Marco Antonio, que enfatiza a importância de pesquisas e tecnologias que ampliem a capacidade do combate às perdas e reduzam a desigualdade de abastecimento e saneamento entre as regiões do país.
O BWRC terá como linhas de pesquisa principais o desenvolvimento de estratégias de segurança hídrica, de tecnologias inovadoras de tratamento de água e esgoto, a otimização dos sistemas de distribuição de água, a disseminação do conhecimento científico e a formulação e implementação de políticas públicas voltadas à água. Os trabalhos serão organizados em eixos voltados para a pesquisa, a educação e difusão científica e a transferência de tecnologias.
Saiba mais no site da Unicamp
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