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Os ´anéis de fadas´ e outros mistérios do deserto mais antigo do mundo

01/09/2020

Localizado ao longo da costa do Atlântico, no sudoeste da África, o deserto da Namíbia é um dos mais secos do mundo.
Sua paisagem – formada por dunas de areia, montanhas escarpadas e planícies de cascalho – se estende por cerca de 81 mil quilômetros quadrados, atravessando três países: Angola, Namíbia e África do Sul.
Com pelo menos 55 milhões de anos, é considerado o deserto mais antigo do mundo – o Saara, para efeito de comparação, tem "apenas" de 2 milhões a 7 milhões de anos.
Com as temperaturas atingindo rotineiramente 45°C no verão durante o dia, e podendo cair para abaixo de zero à noite, também é um dos lugares mais inóspitos do planeta.
Mas, ao longo do tempo, um número surpreendente de espécies se adaptou para chamar esta maravilha árida de lar – e, durante este processo, deu origem a um fenômeno geomórfico que intriga especialistas até hoje.
As partes mais áridas do deserto têm uma média de apenas 2 mm de precipitação por ano. Em alguns anos, algumas partes não recebem uma gota de chuva sequer.
Mas, como se fosse uma miragem, é possível avistar animais correndo pelo deserto, como órix, gazelas, guepardos, hienas, avestruzes e zebras, que se adaptaram para sobreviver nessas condições adversas.
Os avestruzes aumentam a temperatura do corpo para reduzir a perda de água; as zebras das Montanhas de Hartmann são escaladoras ágeis que se adaptaram ao terreno acidentado do deserto; e o órix é capaz de sobreviver por semanas sem beber água, ao se alimentar de vegetais ricos em água, como raízes e tubérculos.
Uma das áreas mais perigosas do inóspito deserto da Namíbia é uma extensão de 500 km de dunas de areia ao longo do Atlântico, conhecida como Costa dos Esqueletos.
A área, que se estende do sul da Angola ao centro da Namíbia, recebeu esse nome por causa das diversas carcaças de baleias espalhadas por suas margens – e dos quase 1 mil naufrágios que aconteceram na sua costa ao longo dos séculos.
A Costa dos Esqueletos costuma estar coberta por uma névoa densa, criada pela ressurgência da corrente fria de Benguela, no Oceano Atlântico, que se choca com o ar quente do interior do deserto.
Esses nevoeiros atrapalham a visibilidade das embarcações, se tornando uma ameaça para a navegação. Não é à toa que o povo San costumava se referir à região como "a terra que Deus criou com raiva".

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