
20/08/2020
Uma raia foi vista ontem (19), na Praia da Bica, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio. Imagens divulgadas pelo Movimento Baía Viva mostram que o animal foi fisgado por um objeto que, segundo pessoas que passavam pelo local, era um anzol.
Ao G1, o biólogo marinho Salvatore Siciliano explicou que o animal é uma raia-borboleta da espécie Gymnura altavela, que é ameaçada de extinção.
De acordo com o especialista, a raia-borboleta aparece em desembarques de pesca artesanal, mas a aparição não é tão comum quanto antes. O membro-fundador do Movimento Baía Viva, Sérgio Ricardo Verde, ressaltou que, apesar de haver raias na Baía de Guanabara, é uma aparição rara.
“A Baía de Guanabara está viva e tem uma grande diversidade biológica. A raia já está em extinção na Baía, inclusive esse tipo. Há vários tipos de raia, mas não em quantidade. Então, realmente ela é uma raridade, ainda mais nesse tamanho”, afirmou o Sérgio Ricardo.
Nas imagens disponibilizadas, é possível ver um homem usando um alicate para retirar um objeto preso ao animal. Segundo o biólogo, a ferramenta serve para liberar peixes de anzóis sem ferir o animal.
Promessa do legado dos Jogos Olímpicos Rio-2016, a despoluição da Baía de Guanabara piorou após 4 anos, segundo dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). De acordo com os últimos registros disponíveis, as amostras do espelho d´água com qualidade péssima ou ruim subiram 75%, até o fim de 2019. Rios e canais também apresentam índices piores.
O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) informou que foram tratados 31,3% do esgoto gerado no estado do Rio de Janeiro em 2018, taxa menor do que os 36,5% de 2010. A região hidrográfica da Baía de Guanabara é composta por 17 municípios. Estima-se que a baía receba 18 mil litros de esgoto por segundo, de mais de 13 milhões de habitantes.
Representantes da sociedade civil e do setor público consideram que a piora dos índices reflete o descompasso entre o crescimento populacional da Região Metropolitana, historicamente conjugado com a ocupação irregular do solo, e a oferta de infraestrutura de saneamento básico - o esgoto doméstico não tratado é a principal fonte de poluição.
Para conferir alguns dados do Inea, clique no G1
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