
18/08/2020
Uma das promessas de legado dos Jogos Olímpicos Rio-2016 era a despoluição da Baía de Guanabara. Passados 4 anos, a situação no geral piorou, segundo dados do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
De acordo com os últimos registros disponíveis, as amostras do espelho d´água com qualidade péssima ou ruim subiram 75%, até o fim de 2019. Rios e canais também apresentam índices piores.
O monitoramento do espelho d´água da baía é feito através da análise de 15 parâmetros físico-químicos e biológicos. Mas as ações de controle foram interrompidas em março por causa da pandemia do novo coronavírus.
De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), foram tratados 31,3% do esgoto gerado no estado do Rio de Janeiro em 2018, taxa menor do que os 36,5% de 2010. A região hidrográfica da Baía de Guanabara é composta por 17 municípios. Estima-se que a baía receba 18 mil litros de esgoto por segundo, de mais de 13 milhões de habitantes.
Ainda segundo o SNIS, os municípios de Cachoeira de Macacu, Duque de Caxias, Itaboraí, Magé, Nova Iguaçu, São Gonçalo, São João de Meriti e Tanguá têm menos de 30% do esgoto tratado.
Representantes da sociedade civil e do setor público consideram que a piora dos índices reflete o descompasso entre o crescimento populacional da Região Metropolitana, historicamente conjugado com a ocupação irregular do solo, e a oferta de infraestrutura de saneamento básico - o esgoto doméstico não tratado é a principal fonte de poluição.
"Quase nada foi feito. Não é de se estranhar que não houve grandes melhoras. O nosso grande vilão é o esgoto doméstico, que vai direto para a baía, porque o entorno é muito pouco tratado. Enquanto não resolver isso, o resto todo é firula. Sob o ponto de vista prático, piorou pouco", comentou Paulo Canedo Magalhães, ex-presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABHidro).
A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) afirma que ações de saneamento básico são de competência dos municípios e das concessionárias.
A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) diz ser responsável pelos serviços de esgotamento e abastecimento em alguns dos municípios do Rio, mas não em toda a Região Metropolitana. Informa também que não faz a gestão de corpos hídricos (rios, canais, córregos).
Para saber mais acerca deste problema, acesse o G1
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