
28/07/2020
A concentração de poluentes na cidade de São Paulo está 20% menor em julho deste ano em comparação com o mesmo mês de 2019, de acordo com o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG – USP).
A queda de concentração chegou a ser de 50% durante a primeira semana de quarentena obrigatória no estado de São Paulo. O aumento do número de veículos nas ruas com a flexibilização da quarentena e o clima seco e sem chuvas são explicações para a poluição ter aumentado desde abril.
Desde a reabertura de setores da economia na cidade, o fluxo de pessoas nas ruas da capital aumentou. Mesmo assim, a lentidão no trânsito em São Paulo ainda é 70% menor do que a registrada antes da pandemia do coronavírus.
De acordo com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a qualidade do ar na maior parte das estações onde há medição na região metropolitana de São Paulo na última quinta-feira (23) era “moderada”, o que significa que a concentração de poluentes está acima dos valores recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
De acordo com a professora do IAG-USP, Maria de Fátima Andrade, “moderada já não é boa”.
“É diretamente proporcional a relação entre o índice de isolamento social e a queda de poluentes. Quando tínhamos mais participação no isolamento, a qualidade do ar era melhor. De todas as cidades em que houve estudo, inclusive fora do Brasil, se observou o mesmo fenômeno. É muito proporcional porque nas grandes cidades a principal fonte de poluição são os veículos”, afirma.
De acordo com a pesquisadora, os veículos, além de emitirem monóxido de carbono pelo escapamento, também emitem partículas poluidoras com a ação abrasiva do pneu no asfalto.
“Então menos movimento, menos liberação de partículas. O uso de máscara é bom até para isso, para não respirar essas partículas porque você evita inalar as maiores”, afirma.
Outro motivo para a poluição maior é o clima mais seco dos últimos dias, de acordo com a gerente da divisão de qualidade do ar da Cetesb, Maria Lúcia Guardani. Com a queda da temperatura durante as noites de inverno, o ar quente sobe e os poluentes ficam presos a uma altura de cerca de 160 metros na nossa atmosfera.
Essas partículas não conseguem romper a barreira de ar frio e permanecem lá até esquentar. No meio da manhã a poluição se dispersa porque o ar quente já atingiu as camadas mais altas e a barreira é rompida.
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