
28/07/2020
A pandemia do novo coronavírus zerou o número de turistas, mas ajudou a abrir os portões do Parque Nacional do Iguaçu para a ação de caçadores, ameaçando ainda mais a preservação de espécies em risco de extinção, como a onça-pintada, símbolo do local.
O maior tempo livre, o desemprego e a falta de outro tipo de lazer durante a quarentena são apontados pelas autoridades como causas para o aumento do fluxo de caçadores na área de preservação localizada no extremo Oeste do Paraná, na divisa com o Paraguai e a Argentina.
No período de pandemia, o número de prisões de pessoas e apreensões de utensílios utilizados para a caça foi maior do que o registrado na mesma época do ano passado.
Desde janeiro desse ano, nove pessoas foram presas em flagrante. No mesmo período de 2019, foram apenas duas. As equipes da Polícia Ambiental e do Instituto Chico Mendes (ICMBio), que administra o espaço, já destruíram 85 armadilhas e 11 acampamentos na mata. Os números são praticamente quatro vezes maiores que os registrados entre janeiro e julho do ano passado.
"Inicialmente, o número de presos pode parecer baixo, mas considerando a dificuldade em prender um deles em flagrante, há um aumento expressivo", observa o capitão Cesar Sebastião da Silva, comandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental que fica dentro do parque.
"As pessoas estavam em casa, afastadas do trabalho e a caça é habito cultural nas regiões rurais do interior. O sujeito com tempo livre vai caçar. Não tem a ver com a pandemia em si, mas com o afastamento do trabalho e de outras atividades sociais que ele costumava exercer", acrescenta Fabrício Blini, delegado da Polícia Federal.
O parque possui cerca de 185.000 hectares só do lado brasileiro e abriga o maior remanescente de Mata Atlântica do Sul do Brasil, além das Cataratas do Iguaçu. A área é alvo de exploradores vegetais, como de palmito. Mas, o principal ataque, é contra a fauna local. Atrás da carne de animais como pacas, veados e antas, os criminosos prejudicam também a conservação de outras espécies.
"Esses animais servem de alimento para a onça-pintada e, com a sua caça, diminui a oferta para o felino. Além disso, presos na armadilha, eles servem de atrativo para a onça, que muitas vezes acaba também abatida pelo caçador para servir de troféu ou ser vendida no mercado ilegal", explica a coordenadora de proteção do parque, Patricia Kidricki Iwamoto.
Ela conta que, nas fiscalizações realizadas em 2020, não foram encontrados indícios de abate de onças, mas ressalta que os caçadores têm diferentes modos de agir e algumas vezes não são pegos. Um moedor encontrado em um dos acampamentos sugere, por exemplo, que os criminosos produzem linguiça com a carne dos animais capturados, deixando poucos vestígios.
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