
23/07/2020
Situado no deserto do Atacama, no Chile, e comandado por astrônomos do Observatório Europeu do Sul (ESO), o Very Large Telescope (VLT) registrou a primeira imagem de uma estrela jovem parecida com o Sol acompanhada por dois exoplanetas gigantes. O sistema esta situado a aproximadamente 300 anos-luz de distância da Terra e é conhecido como TYC 8998-760-1, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (22) no The Astrophysical Journal Letters.
Esta é a primeira vez que mais de um exoplaneta é captado orbitando uma estrela semelhante ao nosso Sol. "Embora os astrônomos tenham detectado indiretamente milhares de planetas em nossa Galáxia, apenas uma pequena fração desses exoplanetas foi diretamente fotografada", disse Matthew Kenworthy, coautor da pesquisa, em declaração à imprensa.
Os dois planetas (indicados por setas na foto) puderam ser observados graças a um instrumento do VLT conhecido como SPHERE, que ocultou a luz da estrela hospedeira e permitiu a visualização do resto do sistema. Como explicam os pesquisadores, enquanto planetas mais antigos, como os do nosso Sistema Solar, são muito frios e não podem ser encontrados com a mesma técnica, planetas mais jovens são mais quentes e, portanto, brilham mais.
Desta forma, para compor a foto, os pesquisadores combinaram vários registros do TYC 8998-760-1 feitas em momentos diferentes. Para confirmar o achado, eles também analisaram artigos sobre o sistema que já haviam sido publicados anteriormente.
Os dois planetas observados são gigantes gasosos que orbitam sua estrela hospedeira a distâncias de 160 e 320 vezes aquela entre a Terra e o Sol. Esse espaço é consideravelmente maior que o existente entre os gigantes gasosos Júpiter e Saturno e o Sol (5 e 10 vezes a distância Terra-Sol, respectivamente). A massa dos astros também é notavelmente maior que a dos planetas do nosso Sistema Solar — o mais próximo da estrela tem 14 vezes a massa de Júpiter e o mais distante, seis.
Já a estrela TYC 8998-760-1 fica situada na constelação de Musca (A Mosca) e tem apenas 17 milhões de anos. De acordo com Alexander Bohn, coautor do estudo, ela é uma "versão muito jovem do nosso próprio Sol [que tem 4,5 bilhões de anos]".
Os cientistas esperam que as observações ajudem na compreensão de planetas e estrelas como o Sol. "Esta é uma imagem de um ambiente muito semelhante ao nosso Sistema Solar, mas em um estágio inicial de sua evolução", explicou Alexander Bohn.
Além disso, a equipe espera que observações desse sistema com aparelhos mais modernos, como o ESO Extremely Large Telescope (ELT), que está sendo construído no Chile, permitirão aos astrônomos avaliar se os planetas se formaram em sua localização atual ou se são provenientes de outras regiões do espaço. "A possibilidade de que futuros instrumentos, como os disponíveis no ELT, sejam capazes de detectar planetas de massa mais baixa ao redor desta estrela, representa um marco importante na compreensão de sistemas multiplanetários, com possíveis implicações para a história do próprio Sistema Solar", afirmou Bohn.
Fonte: Revista Galileu
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