
23/07/2020
Acidentes com serpentes levaram este ano nove pessoas ao Hospital Universitário Antonio Pedro, referência na cidade para esses casos. Em 2019, foram 28 atendimentos do tipo. Biólogos do Instituto Vital Brazil, que produz até 300 mil ampolas de soro antiofídicos anualmente, alertam que situações de picadas por cobras não são nada raras: a média por ano no estado é de 600 a 700: — Cerca de 90% desses acidentes são causados por jararacas, bichos muitos adaptados à área urbana — explica o biólogo Cláudio Machado, do IVB, garantindo que acidentes com esses animais não são coisa do interior: cobras venenosas podem aparecer até no meio de uma compra de verduras.
Especialistas são categóricos: ninguém deve matar ou tentar capturar uma cobra.
— Elas não precisam ser temidas, mas, sim, respeitadas — diz a bióloga Anna Caroline Rodrigues.
O caso do jovem em Brasília picado por uma naja, exótica no país, chamou a atenção para os riscos e também para o tráfico de animais. Bichos apreendidos pela PF e pelo Ibama já foram entregues no IVB: na última vez, o instituto recebeu duas cobras da espécie píton-africana traficadas a partir dos EUA em uma caixa com... camisas e balas.
O instituto abriga hoje nada menos que 500 serpentes, algumas raras, como a jiboia branca (foto), que pode ser filha de uma cobra que ficava no antigo zoológico de Niterói e se tornou famosa por ter sido vendida por US$ 1 milhão no mercado negro para um americano — que a batizou de Princesa Diamante.
Fonte: O Globo
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