
21/07/2020
Quando a Covid-19 se espalhou pelo mundo no início deste ano, o Facebook entrou em ação para combater desinformação potencialmente perigosa em seu site. A empresa rotulou e suprimiu conteúdos enganosos, tirou desinformação do ar e direcionou os usuários a fontes de informação confiáveis, incluindo o site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Essa ação pronta forma um contraste nítido com a postura adotada pela empresa em relação a outra questão complexa e divisiva: a mudança climática. Isso porque, segundo as diretrizes do Facebook, conteúdos climáticos podem ser classificados como opinião e, desse modo, ser isentos dos procedimentos de verificação de fatos.
Essa política significa que trabalhos científicos revistos por pares podem ser incluídos na mesma categoria que declarações de empresas que atuam no setor climático ou mesmo que desinformação evidente. Em setembro, por exemplo, a CO2 Coalition, entidade sem fins lucrativos que diz que o aumento das emissões de carbono faz bem ao planeta, conseguiu derrubar uma checagem de fatos quando o Facebook, sem fazer alarde do fato, rotulou seu post como “opinião”.
À luz do recente boicote de anunciantes ao Facebook e da auditoria independente divulgada neste mês que condenou a plataforma por permitir a multiplicação de discursos de ódio e desinformação, conversamos com a empresa e com vários especialistas externos sobre sua posição em relação à desinformação climática. O que ela disse:
Quais são as regras do Facebook?
Todos os conteúdos de opinião na plataforma –incluindo artigos de opinião ou posts que expressam os pontos de vista ou as agendas de políticos, empresas ou entidades não governamentais—são isentos da checagem de fatos. Segundo Andy Stone, diretor de política de comunicações do Facebook, a empresa segue essa política desde 2016.
Quem realiza a checagem de fatos?
O próprio Facebook não verifica conteúdos. Em vez disso, a empresa terceiriza esse trabalho para pelo menos 50 organizações independentes que têm acesso a posts flagrados pelo Facebook ou por usuários como sendo potencial desinformação.
Uma das entidades que checa fatos sobre mudança climática para a plataforma é a Climate Feedback, organização que recruta especialistas em tópicos específicos para analisar os posts. O processo pode levar semanas para um único artigo.
Segundo Scott Johnson, editor científico da Climate Feedback, os verificadores de fatos também podem analisar posts que ainda não foram assinalados ou classificados pelo Facebook.
Depois de rever um post, a empresa verificadora de fatos pode aplicar a ele um de oito avisos de conteúdo. Os rótulos possíveis incluem “Título Falso”, “Enganoso” e pura e simplesmente “Falso”.
Quando um conteúdo é rotulado como falso ou parcialmente falso, os usuários recebem um aviso em pop-up sobre o conteúdo se clicarem em cima para compartilhá-lo. Os posts falsos também são colocados em posição inferior no ranking, para aparecer mais embaixo nos feeds de notícias.
Para saber mais, acesse a Folha de S. Paulo
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