
07/07/2020
A receita é simples. Misture água, sabão, cloro e uma dose generosa de solidariedade. Em seguida, adicione um pulverizador e equipamentos de segurança individual. Feito isso, basta sair do forno, ou melhor, de casa para distribuir o resultado dessa mistura a quem precisa. É essa a fórmula que Matheus Silveira, morador do Parque Itambé, em Ramos, usa para auxiliar no combate à Covid-19 no lugar em que vive e atua como líder comunitário. Estudante de Administração, o jovem de 23 anos comprou com dinheiro do próprio bolso o aparelho que utiliza para higienizar gratuitamente ruas, vielas, templos religiosos, casas e estabelecimentos comerciais.
— Desde os meus 17 anos ajudo a comunidade, que é tão esquecida pelo poder público. Sempre busquei arrecadar alimentos para doar a quem precisa e nunca deixei de estar atento aos problemas de saneamento básico. Com a chegada da pandemia, percebi que o índice de contágio era muito maior do que o notificado, e então comecei a complementar o trabalho da Comlurb fazendo uma higienização voluntária. Os moradores que não se sentiam protegidos começaram a me chamar e, sem receber nada em troca, fiz limpeza em áreas externas de casas, vilas e prédios. Depois ampliei o trabalho para igrejas, templos religiosos e comércios — diz.
Do início de maio para cá, mais de 70 endereços da comunidade em que vive Silveira e de bairros vizinhos, como Olaria e Bonsucesso, já foram beneficiados com sua ação voluntária. Para ampliar a sua rede de solidariedade, o universitário com vocação para líder comunitário precisa de doações.
— Não aceito dinheiro de jeito algum, mas recebo sabão e água sanitária. Além de material de limpeza, seria ótimo se alguma empresa ou uma pessoa física que tenha condições financeiras me doasse um atomizador costal de motor, que custa cerca de R$ 2 mil. Se alguém pudesse me doar esse aparelho, o trabalho que levo 20 minutos para fazer com o pulverizador manual seria finalizado em apenas 10% desse tempo — diz Silveira, que disponibiliza o seu endereço no Instagram, @mhnsilveira, para contato.
Apesar das limitações que enfrenta para ajudar o próximo, o líder comunitário não desanima. Nascido e criado numa comunidade carente, Silveira afirma que a dificuldade sempre caminhou lado a lado com ele.
— Nas favelas, um apoia o outro para sobreviver. Porque o povo da favela não vive, sobrevive — diz.
Questionado sobre a diferença entre sobreviver e viver, Silveira explica, sem meias palavras, como é a realidade dos que não têm privilégios:
— Viver é ter alimentação balanceada, acesso a educação, saúde e saneamento básico. Sobreviver é torcer para não ficar doente, pisar em esgoto, enfrentar tiroteio quando sai de casa para trabalhar. Numa comunidade, apenas sobrevivemos desde o dia em que nascemos.
Fonte: O Globo
Mês dos manguezais expõe desafios ambientais na Barra e Jacarepaguá; saiba o que vem sendo feito
23/07/2026
Livro gratuito sobre a castanheira-da-amazônia é semifinalista do Jabuti
23/07/2026
10 bairros de São Paulo terão troca gratuita de lâmpadas
23/07/2026
Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu no interior de SP há milhões de anos
23/07/2026
Sem predador e com até 20 cm, rã-touro ameaça fauna em Florianópolis
23/07/2026
Área queimada no Brasil cai 58% em 2025
23/07/2026
