
23/06/2020
Já se passaram quase 200 anos desde que o pai da Teoria da Evolução, Charles Darwin, se deparou, em sua visita ao Brasil, com “uma floresta cuja magnificência não podia ser superada”. A região que o maravilhou em 1832 se esparramava aos pés da Serra da Tiririca, entre Niterói e Maricá, e é, hoje, uma das áreas escolhidas para um projeto de restauração da Mata Atlântica que prevê o plantio de 2,5 milhões de árvores nativas.
Se tiver o êxito esperado, o projeto fará com que matas transformadas em capim e terra degradada voltem a causar encantamento e a prestar serviços ambientais, como produção de água, regulação do clima e controle da erosão.
Chamado de Florestas do Amanhã, o projeto da Secretaria de Estado de Ambiente e Sustentabilidade (SEA) é parte do cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Comperj. Aprovado pela Câmara de Compensação Ambiental do Fundo da Mata Atlântica, ele prevê a regeneração de áreas degradadas em um ano, a partir do plantio em vinte unidades de conservação estaduais e municipais do Rio de Janeiro.
As áreas escolhidas ficam em 16 municípios da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara. Além da capital, serão beneficiadas regiões de Niterói, Maricá, Duque de Caxias, Itaboraí e Guapimirim, entre outros. Ao todo, são 1.100 hectares, numa primeira etapa. O dinheiro, R$ 79 milhões, virá da compensação ambiental que precisa ser obrigatoriamente depositada no Fundo da Mata Atlântica.
O plantio deve começar em novembro, quando tem início a estação das chuvas. Agora, diz o engenheiro florestal Telmo Borges, está sendo realizada a seleção de áreas, de mudas e de quem fará o reflorestamento.
Não é tarefa simples porque menos de 400 das mais de 8.000 espécies de plantas da Mata Atlântica existentes no estado são produzidas em viveiros, diz Borges.
— Se diz que no Brasil, se plantando, tudo dá. Mas onde estão as sementes? Temos enorme biodiversidade, mas pouco conhecimento sobre o manejo dela — destaca Borges, coordenador do Inventário Florestal Nacional no Rio e Superintendente de Planejamento Ambiental e Gestão Ecossistêmica da SEA.
Exemplos de regeneração parecidos podem ser vistos no Parque Estadual da Serra da Tiririca. Lá, atrás da Praia de Itaipuaçu, na montanha, o trabalho de restauração da floresta original, após uma década, começa a exibir seus resultados na forma de ipês, quaresmeiras e outras espécies. Outra área restaurada, vizinha a uma das que serão agora beneficiadas, é a que fica junto às margens da laguna de Itaipu. A área foi recuperada há oito anos e hoje já exibe espécies de restinga e mangue originais.
Fonte: O Globo
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