
23/06/2020
Greta Thunberg diz que o mundo precisa aprender com as lições do coronavírus e tratar as mudanças climáticas com urgência semelhante.
Isso significa que o mundo deveria agir "com a força necessária", afirma a ativista climática sueca de 17 anos em entrevista exclusiva à BBC News.
Ela diz achar que nenhum "plano de recuperação ´verde´" resolverá a crise sozinho.
E que o mundo está passando agora por um "ponto de inflexão social" sobre o clima e questões como o Black Lives Matter.
"As pessoas estão começando a perceber que não podemos continuar desviando o olhar dessas coisas", diz Greta. "Não podemos continuar varrendo essas injustiças para debaixo do tapete."
Ela diz que o lockdown lhe deu tempo para relaxar e refletir longe do olhar do público.
Greta compartilhou com a BBC o texto de um programa bastante pessoal que ela fez para a Rádio Sueca.
No programa de rádio, que foi disponibilizado online na manhã do último sábado (20), a ativista relembra o ano em que ela se tornou uma das celebridades mais famosas do mundo.
A jovem de 16 anos tirou uma licença sabática da escola para passar um ano tumultuado fazendo campanha sobre o clima.
Ela também navegou pelo Atlântico em um iate de corrida para comparecer à Cúpula de Ação Climática da ONU em Nova York.
Greta descreve líderes mundiais fazendo fila para tirar fotos com ela, como Angela Merkel perguntando se não havia problema em postar sua foto nas redes sociais.
A ativista climática é cética em relação às motivações desses líderes mundiais. "Talvez isso os faça esquecer a vergonha de sua geração decepcionando todas as gerações futuras", diz ela. "Acho que talvez os ajude a dormir à noite."
Foi na ONU que ela proferiu seu famoso discurso "how dare you?" ou, em português, "como se atrevem?". "Você roubou meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias", disse ela aos líderes mundiais reunidos na Assembleia da ONU.
Ela estava à beira das lágrimas enquanto dizia. "As pessoas estão morrendo, e tudo o que vocês falam é sobre dinheiro e contos de fadas do eterno crescimento econômico. Como você se atreve?"
Ela sabia que aquele era um "momento único na vida" e decidiu não se conter, ela diz agora.
"Vou deixar minhas emoções tomarem o controle e realmente fazer algo grande com isso, porque não poderei fazer isso novamente", foi o que pensou.
Ela descreve seu trajeto de volta da ONU para o hotel no metrô, vendo as pessoas assistindo ao discurso em seus telefones. Mas diz que não sentiu vontade de comemorar.
"Tudo o que resta são palavras vazias", diz ela.
A frase reflete seu profundo cinismo em relação às motivações da maioria dos líderes mundiais.
"O nível de conhecimento e compreensão, mesmo entre as pessoas no poder, é muito, muito baixo, muito menor do que você imagina", diz ela à BBC.
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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