
23/06/2020
O coronavírus espalha a escuridão do sofrimento, mas cor e luz resistem e brilham no Rio de Janeiro onde menos se espera. No primeiro mergulho após quase 80 dias de quarentena, o documentarista e biólogo Ricardo Gomes encontrou no fundo da Baía de Guanabara uma riqueza de vida marinha tão grande que o surpreendeu, mesmo com mais de três décadas de experiência no local.
Ele registrou o amarelo das esponjas, o rosa do peixe falso-voador, o laranja das estrelas do mar, o azul de caranguejos e o negro com detalhes iridescentes do peixe-anjo. Há um mundo de cores além das do arco-íris no fundo da Guanabara.
— Fiquei tão maravilhado com o que vi que usei até a última respirada do tanque de oxigênio. Não queria sair da água. A água nem estava tão limpa, mas a Baía surpreende. Flagrei peixes que nunca havia visto lá, como o budião-batata, que tem registros para o local, mas é muito difícil de fotografar por ser extremamente arisco — afirma Gomes, que é diretor do Instituto Mar Urbano, dedicado à preservação dos ecossistemas marinhos costeiros.
O desfile de vida e cor na frente da câmera de Gomes tem a ver com a biodiversidade da Baía, que embora rica é ignorada por muita gente — só de peixes são 202 espécies. E também recebeu o impulso do distanciamento social.
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