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Da Baixada Fluminense à Califórnia: o jovem cientista brasileiro selecionado para estudar o coronavírus

09/06/2020

Quando criança, os filmes a série Jurassic Park encantaram Rômulo, ajudando-o a saber, já aos 13 anos, que gostaria de ser biólogo no futuro.
Hoje, aos 27 anos, Rômulo Neris não estuda dinossauros gigantescos extintos no passado — na verdade, ele está arregaçando as mangas para investigar o coronavírus microscópico responsável pela atual emergência global na saúde, uma pandemia que já infectou mais de 6 milhões de pessoas, matando mais de 380 mil delas.
Doutorando em imunologia e inflamação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele estava desde agosto de 2019 fazendo um doutorado sanduíche na University of California Davis, estudando o arbovírus chikungunya, tema da sua tese.
Mas além de terminar de escrever sua tese sobre o chikungunya para defesa neste ano, Neris está apenas esperando acabar seu isolamento no quarto anexo de um amigo, por conta da viagem internacional, para pesquisar também o novo coronavírus.
Ele foi um dos sete pesquisadores brasileiros selecionados para estudar a covid-19 com uma bolsa da Dimensions Sciences, uma organização fundada nos Estados Unidos pela brasileira Marcia Fournier, executiva na área de biotecnologia residindo em Washington.
Com a bolsa, que tem duração de três meses, Neris vai atuar em duas frentes. Uma, a mais imediata, colocando a mão na massa e ajudando a processar testes moleculares que estão sendo feitos no Centro de Triagem Diagnóstica para covid-19 criado pela UFRJ — afinal, a capacidade de fazer e analisar testes tem sido um dos principais gargalos em todo o país no combate ao coronavírus.
"Temos uma grande defasagem de testes no Brasil. Os casos estão sendo subnotificados, já não conseguimos nem mais estimar muito o quão subnotificada é a situação no país", diz o jovem, em entrevista à BBC News Brasil por telefone.
Na outra frente, o pesquisador, graduado em ciências biológicas e mestre em microbiologia pela UFRJ, vai se debruçar sobre o coronavírus em laboratório.
"Vou estudar a genética do vírus e suas mutações, mas também alterações observadas no indivíduo durante a infecção, como metabólicas e pulmonares. A ideia é entender como o vírus infecta células de diferentes tecidos e por que há quadros tão diversos e às vezes tão graves — em alguns, sem nenhum tipo de comorbidade."
"Uma das linhas mais prováveis é que a infecção pelo coronavírus levaria a uma exacerbação da resposta imune. Ou seja, a infecção poderia causar uma inflamação muito grande, principalmente no tecido pulmonar, e esta inflamação seria extravasada para outros tecidos, causando diferentes manifestações."

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