
09/06/2020
Construções irregulares erguidas pela milícia crescem cada vez mais em áreas de preservação ambiental no Rio de Janeiro. No Itanhangá, região dominada pela milícia, é possível ver obras e muitos pedreiros trabalhando em terras públicas.
É um bairro novo do lado do outro, cada um com um nome diferente, mas com várias coisas em comum: são construídos pela milícia, ilegais, e sem saneamento básico.
"O que a gente observa é que toda essa ocupação desordenada, além de afetar a estabilidade das encostas você tem produção de esgoto e esse esgoto vai parar aonde? Dentro dos rios. Então, você tem o exemplo clássico dessa situação no rio Itanhangá, que é um valão de esgoto que joga todo esse material dentro da lagoa da Tijuca", explica o biólogo Mário Moscatelli.
Na Muzema, nem parece que dois prédios caíram há pouco mais de um ano matando 24 pessoas. No local, tem um prédio de seis andares em construção e um outro só no esqueleto. Tem também uma rua nova aberta por uma retroescavadeira. Mesmo com a tragédia, a comunidade continua crescendo.
No Rio das Pedras, o rio que batiza a comunidade virou um valão. No anil, outra área que também é dominada pela milícia, um terreno já está em fundação para dar um lugar a mais um edifício. A especulação imobiliária da milícia se espalha por onde tem terreno vazio, e chegou também em Vargem Grande, onde mais uma nova rua surge onde antes havia só mata. O maciço da Pedra Branca também está em obras.
"Infelizmente, a ocupação se dá de forma desordenada atacando justamente aquilo que dá estabilidade na encosta. Ou seja, corte na vegetação, corte na drenagem natural e são tragédias anunciadas pra acontecer", acrescentou Moscatelli.
Fonte: G1
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