
04/06/2020
Os testes da vacina da Universidade de Oxford contra a Covid-19 terão inicialmente mil doses aplicadas em voluntários no Rio de Janeiro, em ações feitas pela Rede D´Or São Luiz e pelo Instituto D’Or (IDOR).
Ao instituto, caberá participar da seleção, aplicação, registro e análises dos dados coletados, em estreita colaboração com a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), que coordena o estudo com a vacina no Brasil. Mil voluntários também serão vacinados nesta primeira fase, em SP, e a Fundação Lemann financia a estrutura médica e os equipamentos da operação.
No Rio, os custos - em torno de R$ 5 milhões - serão cobertos pela Rede D´Or, e todo o trabalho será coordenado pelo IDOR.
Nas outras fases, o grupo vai acompanhar voluntários em diferentes locais do Brasil e viabilizar a aplicação de mais 5 mil doses da vacina.
"Além da motivação científica, tem a luta, eu acho mundial em relação a essa patologia como um todo pra trazer esperança pra população e trazer, sim, um protagonismo pro Brasil na possibilidade do enfrentamento da patologia e da questão científica e também pro oferecimento da vacina no Brasil. A gente espera que sim", diz Fernanda Tovar Moll, presidente do IDOR.
A vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford já está sendo testada em dez mil pessoas por lá. O Brasil é o primeiro país fora do Reino Unido a participar dos testes. Até o fim, serão 50 mil voluntários vão ser vacinados no mundo.
Os voluntários precisam ser soronegativo. Ou seja, não podem ter contraído a Covid-19 anteriormente. Também precisam estar na linha de frente do combate à Covid-19, uma vez que estão mais expostos à contaminação.
Em entrevista exclusiva na última quinta-feira (28), a cientista brasileira Daniela Ferreira, que participa do projeto, já tinha adiantado ao G1 o dilema da prova de eficácia: os responsáveis pela pesquisa em Oxford viam com preocupação o impacto da diminuição da curva de casos no Reino Unido na pesquisa (veja o vídeo abaixo).
Já naquela época o grupo se organizava para ampliar os testes em uma região com altas taxas de circulação do Sars-Cov-2 para poder acelerar a comprovação da possível eficácia da vacina.
"É uma situação um pouco bizarra, porque você quer que o coronavírus desapareça, não quer que as infecções continuem", diz a chefe do departamento de ciências clínicas da Escola de Medicina Tropical de Liverpool. Para provar mais rapidamente se a fórmula é eficaz, é preciso que os voluntários tenham contato com o vírus e, atualmente, o Brasil é considerado o epicentro da pandemia.
"Um dos fatores limitantes de tudo isso é se a gente vai continuar a ter, nos países em que as vacinas estão sendo testadas, um número de infecção que permite que você teste essa vacina rapidamente", explicou Daniela Ferreira.
Para ser conduzido no Brasil, o procedimento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com o apoio do Ministério da Saúde. Os voluntários serão pessoas na linha de frente do combate ao coronavírus, com uma chance maior de exposição ao Sars-CoV-2. Eles também não podem ter sido infectados em outra ocasião. Os resultados serão importantes para conhecer a segurança da vacina.
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