
04/06/2020
A temporada de queimadas no Brasil, que em geral vai de maio/junho a setembro/outubro, começa este ano com o aumento percentual de focos de incêndio no Pampa, Pantanal e Mata Atlântica, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia.
Em termos absolutos, a Amazônia é o bioma com maior número de focos de incêndios, antes mesmo do início da estação mais seca do bioma. Entretanto, na Amazônia, o acumulado no ano é inferior ao verificado em 2019.
A falta de chuva registrada nesses biomas pode ser apontada como um dos motivos para o aumento no número de incêndios – e a previsão de estiagem sinaliza uma possível piora da situação, caso os focos não sejam fiscalizados e controlados.
O maior aumento percentual foi registrado no Pampa, no Sul do país. O registro de focos de incêndio de 1º de janeiro a 1º de junho deste ano teve aumento de 343% – 917 no período em 2020 contra 207 nos mesmos meses de 2019.
No Pantanal, foram 2.128 focos de incêndio neste ano, aumento de 186% em relação ao mesmo período de 2019, quando houve 742 focos no bioma. Na Mata Atlântica, o aumento foi de 44% – foram 3.479 focos este ano contra 2.395 no mesmo período de 2019.
Na Amazônia, de 1º de janeiro a 1º de junho deste ano, foram registrados 5.655 focos de incêndio – queda de 35% em relação ao mesmo período de 2019.
Com o aumento dos alertas de desmatamento nos primeiros meses de 2020, a preocupação é que a vegetação seja queimada nos próximos meses. O fogo é parte da estratégia de "limpeza" do solo que foi desmatado para depois ser usado na pecuária ou agricultura. É o chamado "ciclo de desmatamento da Amazônia".
“90% de tudo que vai queimar está pela frente ainda. Se vai aumentar ou diminuir depende de diversos fatores, como o clima e a fiscalização. Depende de como os fiscais vão atuar, uma vez que todos os desmatamentos e queimadas são ilegais, seja contra a legislação federal, estadual e municipal. Para se ter uma ideia do impacto da fiscalização, em outubro de 2019 houve o menor registro histórico de focos de incêndio na Amazônia. Isso coincide com a operação Brasil Verde, instituída com decreto pelo governo federal, com uso das Forças Armadas na Amazônia", afirma Alberto Setzer, coordenador do programa de monitoramento de queimadas do Inpe.
A operação na região amazônica durou dois meses, de setembro a outubro de 2019. Dez mil soldados combateram quase dois mil focos de queimadas na floresta. Em novembro, após a saída do Exército, os índices de desmatamento e queimada voltaram a crescer na região.
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