
04/06/2020
Estamos no meio de uma extinção em massa, alertam muitos cientistas —não produzida por um acontecimento natural catastrófico, mas pelos seres humanos. A perda inatural de biodiversidade está se acelerando e, caso continue, o planeta perderá vastos ecossistemas e as necessidades que eles suprem, como água doce, polinização e controle de pragas e doenças.
Na segunda-feira (1º), houve mais más notícias: estamos correndo mais rápido para o ponto de colapso do que os cientistas pensavam anteriormente, segundo pesquisa publicada na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. A taxa de extinção entre as espécies de vertebrados terrestres é significativamente maior que as estimativas anteriores, e a janela crítica para evitar perdas maciças fechará muito mais cedo do que se pensava anteriormente — em dez a 15 anos.
"Estamos destruindo as capacidades do planeta de sustentar a vida humana e a vida em geral", disse Gerardo Ceballos, ecologista da Universidade Nacional Autônoma do México e principal autor do novo estudo.
A taxa atual de extinções supera amplamente as que ocorreriam naturalmente, descobriram o doutor Ceballos e seus colegas. Os cientistas sabem que 543 espécies foram perdidas nos últimos cem anos, o que normalmente levaria 10 mil anos para ocorrer.
"Em outras palavras, todos os anos, no último século, perdemos o mesmo número de espécies tipicamente perdidas em cem anos", afirmou Ceballos.
Se nada mudar, é provável que cerca de 500 espécies de vertebrados terrestres sejam extintas apenas nas próximas duas décadas, elevando o número de perdas totais ao que ocorreria naturalmente em 16 mil anos.
Para determinar quantas espécies estão à beira da extinção, o doutor Ceballos e os coautores Paul Ehrlich, biólogo de conservação na Universidade Stanford, e Peter Raven, ambientalista no Jardim Botânico de Missouri, recorreram aos dados populacionais de 29.400 espécies de vertebrados terrestres, compilados pela União Internacional para Conservação da Natureza.
Dessas espécies, 515 —ou 1,7%— estão ameaçadas de extinção, segundo eles, com menos de mil indivíduos restantes. Cerca da metade dessas espécies tem hoje menos de 250 indivíduos.
Os pesquisadores também examinaram espécies com populações entre 1.000 e 5.000. Quando os cientistas adicionaram essas 388 espécies à sua análise original, encontraram uma sobreposição geográfica de 84% —em grande parte nos trópicos— com espécies do grupo criticamente ameaçado.
A perda de algumas destas espécies provavelmente desencadeará um efeito dominó que enviará outras a uma queda vertiginosa, ameaçando ecossistemas inteiros, relatam os autores. O doutor Ceballos comparou esse processo à retirada de tijolos da parede de uma casa.
"Se você retirar um tijolo, nada acontece —talvez ela fique mais barulhenta e mais úmida por dentro", explicou. "Mas se você retirar muitos a casa acabará desmoronando."
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