
28/05/2020
Geólogo formado pela Universidade de Brasília (UnB), Naziano Filizola é orientador do Grupo de Pesquisas Hidrossistemas e o Homem na Amazônia (H2A) da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Doutor em Hidrologia e Geologia pela Universidade Paul Sabatier, em Toulouse, na França, foi orientador e segundo autor do artigo intitulado “Análise de Sedimentos Suspensos no Arquipélago de Anavilhanas, Rio Negro, Bacia Amazônica”, publicado no periódico da Water, revista de relevância internacional na área.
Fale um pouco sobre o seu trabalho.
Meu campo de pesquisa diz respeito à geomorfologia fluvial, em especial, aos processos ligados ao fluxo de água e sedimentos em grandes rios tropicais como os da Amazônia, área em que trabalho há mais de 25 anos.
Como se deu o interesse em trabalhar com o assunto?
Comecei como técnico de nível superior, trabalhando no grupo de gestão da rede hidrométrica nacional no antigo Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica. Depois de adquirir experiência em vários outros órgãos, sempre trabalhando na mesma temática ligada à Amazônia, entrei, em 2010, para a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) com objetivo de criar o grupo Hidrossistemas e o Homem na Amazônia (H2A), visando o estudo da grande Bacia Fluvial.
Qual o objetivo da sua pesquisa?
O nosso grupo estuda a grande Bacia Fluvial Amazônica. Em especial buscamos entender os processos ligados aos fluxos de água e sedimentos – pedaços de solo ou de rochas deteriorados em pequenas partes – nos rios da Amazônia, seus fatores de controle e suas relações com a população da região.
Qual a importância do trabalho para a realidade brasileira?
Esses estudos têm importância para conhecimento do funcionamento da maior bacia hidrográfica do mundo: suas características, potencialidades e vulnerabilidades quanto à disponibilidade hídrica e ao fluxo de nutrientes (atrelados aos sedimentos). Tudo isso frente aos fenômenos naturais e os causados pelo homem. A importância vem também do fato de o Brasil estar situado geograficamente na bacia (águas abaixo), chamado de jusante. Essa realidade, por si só, já dá a dimensão da importância de se conhecer aquilo que chega até nós vindo de nossos vizinhos (águas acima), chamadas de montante, que é quem controla os fluxos na bacia. É com eles que precisamos aprender a conviver, de modo a bem negociar nossos interesses comuns, visando à melhor gestão e manutenção dos mananciais hídricos e dos grandes rios Amazônicos.
A entrevista completa pode ser lida no site da Capes
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