
26/05/2020
Pesquisadores de mudanças climáticas alertam há algum tempo que a Terra testemunhará temperaturas que tornarão regiões "quase inabitáveis" até 2070.
Mas um novo estudo, publicado na revista "Science Advances", descobriu que esses extremos já estão ocorrendo.
Condições perigosas que combinam calor e umidade estão surgindo em todo o mundo e, embora esses eventos durem apenas algumas horas, estão aumentando em frequência e intensidade, afirmam os autores.
Eles analisaram dados de 7.877 estações meteorológicas coletados entre 1980 e 2019. Os resultados mostraram que a frequência das ocorrências de temperaturas extremas combinadas com umidade dobrou em algumas regiões subtropicais costeiras durante o período do estudo.
Cada evento desses teria potencial para — se prolongado por um período extenso — provocar mortes.
Esses ocorreram várias vezes em partes de Índia, Bangladesh e Paquistão, no noroeste da Austrália e ao longo das costas do Mar Vermelho e do Golfo da Califórnia, no México.
As temperaturas mais altas e potencialmente fatais foram identificadas 14 vezes nas cidades de Dhahran e Damman na Arábia Saudita, Doha no Catar, e Ras Al Khaimah nos Emirados Árabes Unidos.
Partes do sudeste da Ásia, do sul da China, da África subtropical e do Caribe também foram afetadas.
Condições extremas foram verificadas no sudeste dos Estados Unidos dezenas de vezes, principalmente perto da costa de Texas, Louisiana, Mississippi, Alabama e Flórida. As cidades de Nova Orleans e Biloxi foram as mais afetadas.
A maioria das estações meteorológicas do mundo mede a temperatura com dois termômetros: um, o termômetro de bulbo seco, mede a temperatura do ar — é o valor que é divulgado em previsão do tempo, seja em aplicativos ou na TV. O outro é o termômetro de bulbo úmido, que mede a umidade relativa do ar.
Essa segunda medição é feita com um termômetro envolto em um pano úmido, e os resultados são normalmente mais baixos do que a temperatura do ar.
Para os seres humanos, as combinações extremas de calor e umidade podem ter efeitos potencialmente fatais em um mundo em aquecimento. É por isso que a leitura do bulbo úmido, também conhecida como sensação térmica, é extremamente importante.
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