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Rio surreal: o momento caribenho da Praia de Botafogo

19/05/2020

Um vídeo que mostra a Praia de Botafogo com o mar transparente virou, nos últimos dias, um hit na internet. As cenas são quase surreais: pessoas mergulham nas águas azuis de um lugar que, há décadas, é considerado impróprio para banho. Muita gente compartilhou o pequeno filme acreditando que se tratava de um fenômeno decorrente do isolamento social, mas especialistas alertam que nada é o que parece.
O oceanógrafo David Zee, professor da Faculdade de Oceanografia da Uerj, acredita que as águas aparentemente limpas chegaram à Praia de Botafogo por causa de um aumento da poluição no centro da Baía de Guanabara. Segundo ele, a corrente marítima não consegue ultrapassar uma barreira de lixo e acaba “escapando” para a orla, dando um aspecto caribenho também ao Flamengo, a Icaraí e a Paquetá.
— Parece bom, mas, na verdade, reflete algo ruim. Tenho percebido o aumento desse fenômeno desde o ano passado. A água não está conseguindo ultrapassar um paredão de poluição e escoa para os lados. O fundo da Baía está muito assoreado — disse Zee. — Quando a sujeira chegar à orla, será terrível.
O último teste de balneabilidade da Praia de Botafogo foi realizado há um mês pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). O próximo será feito amanhã e o resultado sairá na próxima segunda-feira. Assim como Zee, Hélio Vanderlei, diretor de Segurança Hídrica e Qualidade Ambiental do órgão, não vê a situação com otimismo:
— O mar pode estar translúcido e, ao mesmo tempo, cheio de coliformes fecais. O quesito transparência muda a cada dia. A aparência límpida se dá por vários motivos, como a redução das chuvas nos últimos 30 dias. Ventos e marés também atuam na troca de água.
Alheio às explicações, o salva-vidas Daniel Roberto saiu nesta segunda-feira de sua casa, no Centro, para conferir o momento caribenho da Praia de Botafogo.
— Fiz até uma promessa: se fosse verdade o que assisti no vídeo, daria um mergulho. Há 25 anos eu não entrava nessa água — afirmou Daniel pouco antes de correr em direção às marolas.

Fonte: O Globo

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