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Subnotificação em favelas tende a ‘reduzir a percepção de risco’, alerta médico da Uerj sobre coronavírus

19/05/2020

A situação de Covid-19 nas favelas é mais preocupante do que a que aparece nos dados oficiais. Isso porque há uma grande subnotificação de casos.
O maior risco da subnotificação, na opinião do médico Mário Dal Poz, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), é que a população deixe de tomar os cuidados necessários e acabe aumentando a transmissão do vírus.
“Nas comunidades, especialmente, em que você tem ambientes muitos fechados, habitações precárias, espaços reduzidos, essa subnotificação tende a reduzir a percepção do risco”, explica Dal Poz.
Desde o início da pandemia, a ONG Redes da Maré faz uma campanha para conscientizar os 140 mil moradores e também divulga, desde abril, um balanço semanal dos casos nas 16 favelas da região.
“É assustador ver a subnotificação que existe e aí a subnotificação tem a ver com notificação errada, que aí tem a ver com outros problemas estruturais em relação à questão da favela”, diz a diretora da Redes da Maré, Eliana Silva Sousa.
“Nem todo mundo foi testado, enfim, vai ter acesso a teste, mas a gente vê nos atestados de óbito que a pessoa morreu por problema respiratório, com sintomas da Covid, isso tem em alguns óbitos que a gente tem acesso”, fala Eliana.
A diferença é enorme entre os números divulgados pela Prefeitura do Rio e aqueles levantados pela ONG. No dia 11 de maio, de acordo com o município, eram 37 casos confirmados de coronavírus e 8 mortes na Maré. Só do dia 17 de abril até o dia 11 de maio, no último balanço divulgado pela ONG, foram registrados 208 casos suspeitos e 28 mortes.
Desses casos recebidos pela ONG, só 34 pessoas conseguiram fazer o teste da Covid para confirmar a doença.
A diretora da Redes da Maré explica que um dos motivos para essa diferença é que algumas comunidades que fazem parte do complexo são consideradas como parte do bairro Bonsucesso, que até domingo (17) já tinha 136 casos confirmados e 28 mortes, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde.
“A Maré é bairro desde a década de 90, mas isso oficialmente ainda não é reconhecido. Então a pessoa mora numa das 16 favelas da Maré, então ela mora na Nova Holanda, no Morro do Timbau, na Baixa do Sapateiro, Bonsucesso. Então você tem hoje uma distorção muito grande nos números porque, por exemplo, a Maré aparece no ranking dos bairros da cidade, dos 162 bairros, aparece com um número lá embaixo enquanto Bonsucesso lidera o número de pessoas contaminadas pela Covid e de mortes também”, explica Eliana.

Fonte: G1

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