
22/04/2020
O aeroporto sempre foi o local de entrada da "riqueza" de Fernando de Noronha: os turistas, que traziam os recursos para alimentar a economia local. Mas foi também a porta de entrada para o novo coronavírus.
Com cerca de 3,3 mil habitantes, 26 pacientes tiveram o exame positivo para a doença, até o último sábado (18). Proporcionalmente, o arquipélago é o local com uma das maiores incidências de casos confirmados da Covid-19. Por isso, a partir de segunda-feira (20), Fernando de Noronha está sob quarentena, decretada pelo governo do estado.
De acordo com o superintende de Saúde da Administração da Ilha, Fernando Magalhães, uma investigação indicou o aeroporto como foco da Covid-19.
“Nós podemos afirmar, com o inquérito epidemiológico, que a contaminação foi no aeroporto. Isso ocorreu no momento de entrada ou saída de algum turista. O fluxo no local era grande, num espaço concentrado. A contaminação está comprovada”, afirmou.
Os infectados, até o sábado (18), são 16 homens e dez mulheres, com idades entre 25 e 59 anos. Grande parte dos pacientes trabalha ou tem parentes no aeroporto.
O primeiro caso confirmado de coronavírus - e também o primeiro a ter a cura clínica na ilha - foi o inspetor de segurança do aeroporto, Luiz Carlos Andrade, de 48 anos.
“Eu acho que eu posso ter contraído a doença no meu trabalho, com o entra e sai de passageiros, moradores e turistas. Eu fiquei 22 dias em isolamento, tive medo que a doença se agravasse”, disse Andrade, que ficou isolado no alojamento da empresa e teve febre, dor de garganta e dor de cabeça.
O gerente operacional do aeroporto, Cláudio Alencar, de 36 anos, chefe de Andrade, também contraiu o coronavírus. Ele ainda está em isolamento domiciliar. Cláudio acha que se contaminou com a Covid-19 com o amigo do trabalho, mas teve a sorte de ser assintomático.
“Eu tive contato com Andrade, nós usávamos o mesmo carro, e apesar de tomar todos os cuidados, usando luvas e máscaras, houve uma falha. Como é um vírus de fácil disseminação, terminei sendo contaminado”, contou.
A funcionária da empresa Gol Linhas Aéreas Cláudia Cavalcanti, de 38 anos, também credita ao trabalho a contaminação pelo novo coronavírus. Casada, mãe de dois filhos, ela já fez cirurgia bariátrica e temia a Covid-19.
“Na minha família nós tínhamos muito medo de contrair a doença. Meu marido é diabético e meus filhos têm imunidade baixa, eles têm asma. No meu trabalho eu comecei a sentir dores de cabeça e tontura. Acredito que peguei o coronavírus no aeroporto, foi o único local que estive com aglomeração”, falou.
Cláudia está no quarto isolada há 14 dias. Nesse período, houve a comemoração do aniversário do filho Pedro, que fez dez anos. O garoto preparou o próprio bolo e pediu de presente a cura da mãe. Apenas na hora do bolo, ela saiu do quarto para cantar o "parabéns para você".
"Nós usamos máscaras e eu participei da festinha do meu filho, éramos só nós. Ele me deu o primeiro pedaço do bolo e pediu por minha saúde, fiquei muito emocionada”, contou Cláudia, que no sábado (18) recebeu a notícia da cura clínica.
Já o agricultor Fernando Ferreira da Silva, de 43 anos, acredita que contraiu a Covid-19 ao ter contato com a sobrinha, que trabalha na Gol e também contraiu o novo coronavírus. Ele foi o único paciente da ilha a ter complicações respiratórias, sendo transferido num avião de salvamento para o Recife.
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