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Epidemiologista teme surtos de dengue e H1N1 em meio à pandemia do Covid-19

14/04/2020

Doutora em epidemiologia pela Fiocruz, Ana Luísa Bacelar alerta para o risco de surtos de H1N1 e dengue sobrecarregarem ainda mais o sistema de saúde no Brasil.

Existe o risco de surto de H1N1?
Nos meses anteriores ao inverno é comum ocorrer um aumento no número de casos. Este ano a cobertura vacinal melhorou por causa da pandemia, mas precisamos nos preparar para o grande número de casos.

Com os casos graves de H1N1 e dengue, há possibilidade de não haver leitos para todos?
Já estamos vendo isso, o colapso do sistema pode ocorrer. Outro problema é que nesta época são comuns os infartos. É preciso orientar esses pacientes para que sigam recomendações médicas.

Covid-19, H1N1 e sarampo afetam o sistema respiratório. Pode haver confusão?
É um risco confundir os sintomas. Essas doenças causam problemas respiratórios semelhantes. No caso da Covid-19, não há como garantir quem vai ficar mal.

Por quê?
Vemos que idosos e pessoas com comorbidades têm mais chances de desenvolver a forma grave, mas isso não tem uma resposta matemática. Temos visto mortes de jovens saudáveis e até de um recém-nascido. Os próximos meses não devem ser fáceis. No estado do Rio já tínhamos problemas com a falta de leitos de UTI. A única forma de enfrentar a crise é evitar que todos fiquem doentes ao mesmo tempo.

Pode acontecer a coinfecção, quando a pessoa é infectada por dois vírus ao mesmo tempo?
Há relatos na literatura científica de coinfecção com outros vírus respiratórios, como influenza H1N1 e influenza A. Cada vírus tem uma chave para entrar e atacar as células humanas. Essas chaves podem ser as mesmas para diferentes vírus. Assim eles disputam quem conseguirá invadir a célula e causar infecção. Como é um vírus novo e desconhecido, podemos aventar a possibilidade de pessoas terem outras infecções com a Covid-19, principalmente imunodeprimidos, malnutridos e outras condições em que o sistema imunológico não reage, como infecção ativa por HIV ou quimioterapia.

Fonte: O Globo

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