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Todo mundo de máscara!

09/04/2020

Neste tempo de pandemia da Covid-19, é muito importante discutir o uso das máscaras. Tudo em relação a virologia depende da quantidade de vírus presente no corpo da pessoa infectada. É a chamada carga viral.
Para infectar o ser humano precisamos de um número de partículas virais definida ou dose infectante. Por exemplo, se tratarmos um paciente com Aids e baixarmos sua carga viral no sangue, ele não é mais infeccioso. O mesmo quando utilizamos a camisinha.
Quando vamos para os vírus respiratórios, as coisas são semelhantes. Um paciente infectado por vírus respiratórios, como a influenza ou coronavírus, libera milhões de partículas de vírus em suas gotículas exaladas por tosse ou espirros. Essas gotículas vão se depositar no rosto ou nas mãos de pessoas não infectadas e podem agora infectá-las diretamente.
Outra via de infecção se dá pela deposição das gotículas em superfícies como mesas, banheiros, barras de ônibus, corrimões, elevadores, etc. Aí contaminam as mãos das pessoas não-infectadas que levam o vírus à boca ou aos olhos.
O uso da máscara por uma pessoa infectada, seja sintomática ou assintomática, diminui a dispersão das gotículas e por consequência a carga de vírus ambiental. Temos as máscaras de materiais sintéticos ou papel tratados, que são utilizadas pelo pessoal de Saúde e são essenciais nestes tempos de coronavírus. Essas máscaras industriais tipo N95 e as PPF2/3 têm um alto poder de filtragem das tais gotículas suspensas, tanto para expelirmos quanto para inspirarmos os vírus.
A população não deve utilizar estas máscaras para poupá-las para os médicos, enfermeiros, e outros profissionais lidando diretamente com os pacientes internados com Covid-19. Porém, o resto da população deve se beneficiar também do equipamento, utilizando máscaras caseiras feitas de pano.
Vamos utilizar as máscaras de pano comerciais ou caseiras o tempo todo porque, mesmo que uma máscara de pano, dobrado duas ou três vezes, não barre 100% a carga de vírus exalada ou inalada no meio ambiente, ela pode barrar algo entre 60% a 70% . Assim, a carga de vírus depositada em superfícies diminui e, consequentemente, a transmissão do vírus também cai.
Este benefício se dá de duas formas: quem está infectado só deixa e só exala 30% da carga de vírus, e os não infectados só recebem 30% dos 30% exalados; ou seja, 9% da dose infectante, uma queda formidável de sua capacidade original. Além disso, a máscara caseira também protege nariz e boca contra uma autoinoculação. Seu uso em larga escala, portanto, baixaria drasticamente a carga de vírus circulante na comunidade.
Temos que lembrar que uma vacina muito eficaz imuniza 90% dos indivíduos e pode nos livrar de epidemias de sarampo, poliomielite etc. Em analogia, o uso em larga escala da máscara caseira, em casa ou na rua, seria como uma vacina contra o coronavírus. Porém, é uma vacina que deve ser utilizada todos os dias.
Importante: o uso da máscara de pano não pode substituir o isolamento social, a higienização das mãos, e o cuidado de não levar as mãos ao rosto. Ela é uma medida de prevenção aditiva. Precisamos também perder esse estigma da máscara relacionando seu uso a doenças. A população asiática já lida bem com isso, vemos em países como Japão e Coreia do Sul pessoas utilizando as máscaras nas ruas independentemente de uma epidemia.
Então vamos todos usar máscara em casa e na rua. Os sintomáticos e os assintomáticos. A proteção dada pelas máscaras não é somente individual, mas comunitária.
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Respeitem a si, respeitem ao próximo, mantenham isolamento social e usem máscaras o tempo inteiro. Todos devem ter, no mínimo, duas máscaras, uma para usar e outra de reserva limpa.
Lave-as com água, sabão e um pouco de água sanitária. Resumindo, a máscara, mesmo de pano, é uma vacina para vírus respiratórios. Porém, é uma vacina que temos de usar o tempo todo! E, reforçando, ela não substitui o isolamento social.

Fonte: O Globo

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