
12/03/2020
O cenário é colorido pela diversidade de garrafas PET combinadas a toda gama de utensílios. Olhares mais atentos encontram também outros rejeitos mais exóticos, como brinquedos e sofás. Mas não se trata de um aterro sanitário. Tudo isso pode ser visto nas lagoas, nos parques e nas praias de Barra, Recreio e Jacarepaguá. Grupos de voluntários, formados por pessoas cansadas de esperar providências do poder público, têm se multiplicado na área, onde se encontram com regularidade para realizar ações de limpeza e conscientizar amigos, vizinhos e frequentadores da região. As iniciativas acabaram por criar um calendário de mutirões ao longo de todo o ano.
— Eu velejava na Lagoa de Marapendi até a década de 1990. Foi quando precisei parar por causa da poluição — conta a fundadora do movimento SOS Lagoas, Cristiana Queiroga, que realiza um trabalho de mobilização em prol do meio ambiente desde 2018, relembrando um dos episódios que a inspiraram.
Os voluntários do SOS Lagoas se reúnem mensalmente para discutir problemas, instalar lixeiras, plantar mudas nativas e recolher o lixo que se acumula em alguns dos pontos mais bonitos — e importantes do ponto de vista ambiental — da Barra. Como é de pequeno que se aprende a preservar, crianças são bem-vindas; e atividades lúdicas, planejadas para elas, de forma que possam participar das ações sem ficarem tão expostas a riscos de contaminação.
Nas margens do Canal de Marapendi, perto da Rua Martinho de Mesquita, é fácil encontrar pinturas e lixeiras artesanais instaladas pelo SOS Lagoas. O grupo lamenta, porém, o mau cheiro da água, causado pelo despejo irregular de esgoto, e a quantidade de lixo preso à areia e à vegetação da faixa marginal da Lagoa de Marapendi.
Na última sexta-feira de fevereiro, diante da equipe do GLOBO-Barra, em apenas cinco minutos um grupo de 12 voluntários encheu quatro sacolas grandes com uma variedade de objetos identificados e não identificados no local.
— Precisamos parar de reclamar e entender que somos parte do problema. Temos que agir urgentemente — diz Cristiana.
Foi também durante a prática de esportes que os criadores dos movimentos Recicla Surf e Salvemos São Conrado perceberam que tinham que fazer algo pelo meio ambiente. O primeiro grupo nasceu junto com um campeonato de surfe, no Recreio.
— Criei um campeonato e aproveitei os dois dias do evento para falar sobre conscientização ambiental. Depois, comecei a atuar somente em ações coletivas de limpeza, conscientização e preservação — conta Andrezza Borges da Fonseca, fundadora do Recicla Surf e ex-competidora amadora.
Já o Salvemos São Conrado reúne muitos voluntários da Rocinha que pegam onda nas areias próximas à comunidade. Eles atuam ora por lá, ora na Lagoa da Tijuca. No Canal da Barra, bem perto da sede da empresa 360 Sports, que oferece suporte ao coletivo, o ativista Marcello Faria diz já ter encontrado móveis e eletrodomésticos suficientes para mobiliar uma casa inteira:
— Em uma ação recente, com 150 pessoas, chegamos a contar cinco toneladas de lixo.
Empolgado, ele teve a ideia de comemorar o próprio aniversário com um mutirão na Praia de São Conrado, no próximo dia 15, quando dois mil voluntários são esperados.
A matéria completa pode ser lida em O Globo
Mês dos manguezais expõe desafios ambientais na Barra e Jacarepaguá; saiba o que vem sendo feito
23/07/2026
Livro gratuito sobre a castanheira-da-amazônia é semifinalista do Jabuti
23/07/2026
10 bairros de São Paulo terão troca gratuita de lâmpadas
23/07/2026
Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu no interior de SP há milhões de anos
23/07/2026
Sem predador e com até 20 cm, rã-touro ameaça fauna em Florianópolis
23/07/2026
Área queimada no Brasil cai 58% em 2025
23/07/2026
