
03/03/2020
Um grande volume de gigogas segue chegando à praia da Barra neste fim de semana. A vegetação, que cresce em águas poluídas por esgoto, tem se acumulado na ecobarreira provisória instalada no Itanhangá na Lagoa da Tijuca. Desde a última terça-feira elas vem chegando à praia em razão do movimento da maré, das fortes chuvas do mês de fevereiro e do grande volume de plantas.
O biólogo Mario Moscatelli, que monitora as condições do sistema lagunar, alerta que a situação pode atingir um nível crítico. Durante os períodos de maré baixa, a chance da ecobarreira romper se torna ainda mais alta.
— Se a ecobarreira romper, devido a pressão da chuva e das gigogas que já somavam 200 toneladas na semana passada, aí a gente vai ter um estrago bíblico na praia da Barra — afirma Moscatelli, estimando em até 400 toneladas o volume da planta que ainda pode chegar ao local vindo da Lagoa da Tijuca.
O biólogo alerta ainda para outro problema, que pode ocorrer quando a maré está alta. Caso esse período coincida com chuva forte, as periferias da Lagoa podem inundar pois as águas não sairão mais em direção ao mar.
Porém, o problema do acúmulo de gigoas não é uma novidade. Dada a alta concentração de esgoto in natura despejado nos rios e nas lagoas da região — que tem bairros como Barra da Tijuca, Jacarepaguá e Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio —, as águas se tornam o ambiente propício para a proliferação dessas plantas.
Aindas sim, as fortes chuvas colaboram para piora do cenário. Segundo o Sistema Alerta Rio, este mês de fevereiro é o mais chuvoso dos últimos 23 anos. O volume, em especial na última semana, auxiliou no acúmulo das gigogas na ecobarreira próxima à saída da Lagoa da Tijuca.
Isto porque as chuvas trouxeram a vegetação desde os rios, de diferentes pontos do sistema lagunar da Baixada de Jacarepaguá, onde o despejo irregular de esgoto sem tratamento deixa o ambiente propício para a planta.
Até a última quinta-feira, a Comlurb havia retirado 59 toneladas da planta durante dez dias de trabalho. Entre sexta-feria e este domingo foram retirados mais 30 toneladas, totalizando 89 toneladas de plantas aquáticas removidas da areia.
Já a limpeza das lagoas e do canal de ligação até a orla fica a cargo do Inea. Nesta semana, o órgão informou que será inaugurada na próxima terça-feira no Rio Arroio Pavuna, próximo ao Hospital da Rede Sarah, a primeira das quatro novas ecobarreiras do Sistema Lagunar de Jacarepaguá. Segundo o órgão, para impedir que as gigogas cheguem nas praias, "serão colocados imediatamente em funcionamento ecobarcos, de forma emergencial, para retirar da água a imensa quantidade de gigogas que se acumulam na ecobarreira do Itanhangá.
Fonte: O Globo
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