
20/02/2020
Uma empresa dos EUA divulgou detalhes científicos de seu processo de "compostagem humana" para funerais ambientalmente amigáveis.
Um estudo piloto produzido com voluntários que morreram mostrou que os tecidos humanos se decompuseram de forma segura e completa em 30 dias.
A empresa Recompose diz que esse processo economiza mais de uma tonelada de carbono em comparação com a cremação ou o enterro tradicional.
Ela afirma que oferecerá o primeiro serviço de compostagem humana no Estado de Washington (EUA) a partir de fevereiro.
A diretora-executiva e fundadora da Recompose, Katrina Spade, disse à BBC que preocupações quanto às mudanças climáticas são um dos principais motivos que levam muitas pessoas a manifestar interesse no serviço.
"Até agora 15 mil pessoas assinaram nossa newsletter. E a legislação para permitir isso no Estado recebeu apoio bipartidário, permitindo que ela fosse aprovada na primeira vez que foi protocolada", diz ela.
"O projeto avançou tão rapidamente por causa da urgência da mudança climática e a consciência de que precisamos enfrentá-la".
Spade conversou comigo conforme os resultados de um estudo científico sobre o processo de compostagem, que a Recompose chama de redução orgânica natural, eram apresentados no encontro da American Association for the Advancement of Science (associação americana para o avanço da ciência) em Seattle.
"Há uma praticidade amorosa nisso", ela disse em uma das raras entrevistas desde que anunciou os detalhes do projeto, há um ano.
Ela me disse que teve a ideia há 13 anos, quando começou a pensar sobre sua própria mortalidade — à idade madura de 30 anos!
"Quando eu morrer, este planeta, que me protegeu e sustentou por toda a minha vida, não deveria receber de volta o que me restou?"
"É simplesmente lógico e também lindo."
Spade faz uma distinção entre decomposição e recomposição. A primeira acontece quando um corpo está sobre o solo. A segunda envolve integrar-se com o solo.
Ela diz que, em comparação com a cremação, a redução natural orgânica de um corpo impede que 1,4 tonelada de carbono seja lançado na atmosfera.
E ela acredita que haja uma economia similar quando o método é comparado com o enterro tradicional se levados em conta o transporte e a fabricação de um caixão.
"Para muitas pessoas, isso dialoga com a forma com que elas tentam conduzir suas vidas. Elas querem um plano de morte que dialogue com a forma como elas vivem."
O processo envolve deixar o corpo em um compartimento de fechado com pedaços de madeira, alfafa e palha. O corpo é lentamente girado para permitir que micróbios o consumam."
Trinta dias depois, os restos ficam disponíveis para que familiares os despejem em plantas.
Embora o processo seja simples, o aprimoramento da técnica levou quatro anos de estudos científicos. Spade pediu à cientista do solo Lynne Carpenter Boggs que realizasse o trabalho.
A matéria completa pode ser lida no G1
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