
13/02/2020
A solução para "o desastre ecológico enfrentado pela Amazônia" não está na "internacionalização" da região. Mas a presença de ONGs que atuam de forma crítica e fazem pressão "sem se vender a espúrios interesses locais ou internacionais" é legítima.
As afirmações foram feitas pelo papa Francisco no documento final do Sínodo da Amazônia, divulgado na quarta-feira (12), cinco meses depois da troca de acusações e farpas entre os presidentes Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron, da França, sobre as responsabilidades pela gestão da região amazônica.
No texto, o papa cita "indígenas, ribeirinhos e afrodescendentes" ao defender políticas orientadas aos povos mais pobres da região e diz que interesses colonizadores, no passado e no presente, empurram essas populações para as periferias das cidades.
Ali, diz o papa, eles "não encontram uma real libertação dos seus dramas, mas as piores formas de escravidão, submissão e miséria".
Na cúpula do G7, em agosto do ano passado, o líder francês sugeriu a criação de um status internacional para a região, caso medidas efetivas não fossem tomadas pelos governos dos nove países amazônicos — Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Perú, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa (território francês).
A declaração provocou respostas duras de Bolsonaro, que afirmou que Macron sugeria uma "afronta à soberania" brasileira. "É uma falácia dizer que a Amazônia é patrimônio da humanidade", disse o presidente brasileiro em discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, em outubro.
Apesar de, por um lado, endossar a posição de Bolsonaro em relação ao status da região, o papa também se opõe ao presidente brasileiro quando defende a presença de "organismos internacionais e organizações da sociedade civil".
Em transmissão ao vivo por redes sociais, em novembro, Bolsonaro pediu o fim do financiamento das ONGs. "Não doem dinheiro para ONG. Acabem com essa história de dar dinheiro para ONG porque elas não estão lá para preservar o meio ambiente, mas para ganhar dinheiro em causa própria", acusou o presidente.
Meses antes, o brasileiro chegou a afirmar que ONGs seriam as responsáveis pelos incêndios registrados na região — as acusações nunca foram confirmadas e geraram uma onda de críticas internacionais ao presidente.
Leia a matéria completa no G1
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