
11/02/2020
Terminou ontem, dia 9 de fevereiro, o prazo simbólico para fortalecer os planos de combate global às mudanças climáticas sob o Acordo de Paris. Este Acordo foi conseguido em 2015, na cidade francesa, pelos representantes dos líderes reunidos na Conferência das Partes pelo Clima (COP21). E houve, na época, uma ruidosa comemoração. O mundo parecia ter se dado conta da necessidade de rever práticas comerciais, de trabalho, de produção, de extração dos bens naturais, em prol de uma melhor qualidade de vida não só desta, como das próximas gerações.
O prazo, volto a dizer, é simbólico e não há sanções para quem não cumprir. As nações interessadas, verdadeiramente, em pôr em prática as mudanças, deveriam ter apresentado às Nações Unidas, até o dia 7 de fevereiro, as Contribuições Determinadas Nacionalmente (CDN), uma espécie de lista de intenções. Este rol de atitudes representaria algo no qual se comprometeriam políticos e empresários cobrados pela sociedade civil, que os apoiaria e ajudaria a fazer mudanças. Mundo ideal, aqui estamos nós.
Agora, vamos à realidade: apenas três nações apresentaram planos climáticos atualizados nove meses antes do início da cúpula de novembro em Glasgow (COP26), segundo o site Climate Home News: Ilhas Marshall, Suriname e Noruega fizeram o dever de casa, mas só eles.
Em vez disso, o mundo do “business as usual” continua. Recebi, por exemplo, mensagens de ambientalistas preocupados com a chegada ao Brasil de uma fábrica de celulose gigante, a Paper Excellence PE, da mesma família da Indonésia que é dona da Asia Pulp & Paper (APP). Segundo o site da Paper, ela produz 2,7 milhões de toneladas de papel e tem como missão “desafiar constantemente o limite e lutar incansavelmente pela vitória”. A empresa tem passivos. Já foi convidada a se retirar do Canadá porque lançava resíduos no lago Boat Harbour.
Por mais que se queira acreditar que no Brasil tudo será diferente, é preciso olhar a situação com lente de aumento. A questão é a maneira como se produz a celulose, as queimadas que são necessárias para o plantio do eucalipto, a terra usada para este fim, que poderia estar expandindo produções de agroecologia, ou seja, alimentos sem necessidade do uso de agrotóxicos. Mas, sob o ponto de vista de quem quer ver o país mais “desenvolvido”, a chegada da indústria gigante, por mais que venha com riscos, será comemorada por conta dos empregos que ela distribuirá. E a economia vai aquecer.
Esta é uma questão que terá que ser abordada de forma consciente e clara por governos, empresas e cidadãos, sem ideologia, mas com uma visão real. É preciso fazer mudanças, e não para continuar tudo do jeito que está.
No mês passado, terminou também o prazo assumido por algumas das maiores empresas do mundo no Fórum de Bens de Consumo (The Consumer Goods Forum – CGF) em 2010, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Cancún. Lá, sob os holofotes da imprensa mundial e pressão da sociedade civil e científica, as companhias prometeram redobrar cuidados com fornecedores das commodities mais ligadas à destruição florestal: soja, gado, óleo de palma e papel e celulose.
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