
06/02/2020
O sonho da casa própria diante de cartões postais do Rio a R$ 170 mil. O desejo de viver em Copacabana, a um quilômetro da praia, só tinha um problema: todo o condomínio em construção é irregular, sem licença ou documentação e em área de proteção ambiental, controlada pelo tráfico de drogas.
A obra está em estágio avançado e já destruiu parte da Mata Atlântica. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente disse que só foi notificada pela Prefeitura sobre a construção na segunda-feira (3). O secretário, Sebastião Bruno, disse que recebeu a denúncia há 60 dias e avaliou a ação como "rápida".
Em 25 de janeiro, o G1 entrou em contato com a Secretaria Municipal de Habitação (SMH), questionando sobre a construção irregular e os anúncios na internet. No dia 27, a reportagem voltou a cobrar uma resposta.
A construção do Condomínio Alto Copa fica na Ladeira dos Tabajaras, local onde há atuação do tráfico de drogas. O RJ1 apurou que os criminosos exigiram dinheiro para liberar a construção na comunidade.
Cada unidade tem 67 metros quadrados, com bela vista do alto para bairros como Copacabana, Urca e Flamengo.
A entrega era prevista para abril de 2020 e prometia um condomínio com:
* piscina;
* sauna;
* área para crianças;
* academia.
A construção invade a Área de Proteção Ambiental (APA) São João. Das imagens aéreas, é possível ver que a obra avança pela mata.
O arquiteto Pedro da Luz Moreira, especialista da Universidade Federal Fluminense (UFF), viu as imagens do Globocop. Além da falta de autorização, o prédio tem mais uma irregularidade: está acima do gabarito.
"(O condomínio) Vai ter um impacto muito grande na paisagem geral da cidade e, certamente, não é um empreendimento aprovado. Isso denota toda essa falta de fiscalização e falta de acompanhamento e de poder público nessas comunidades", diz o arquiteto.
Os anúncios eram veiculados em redes sociais e pediam para o cliente procurar o "Senhor Campos". O RJ1 ligou para ele.
"Tenho uma escritura que é do terreno inteiro. É uma escritura só, do terreno inteiro. Então, eu tenho que construir, tirar o habite-se e desmembrar. Só assim eu vou conseguir individualizar cada escritura definitiva. É como qualquer construtora grande", disse.
"Foi rápida, foi rápida sim. Na realidade, essa denúncia chegou há coisa de 60 dias. A gente já tinha feito um mapeamento de tudo, fechado toda a operação. Mas infelizmente a Polícia Civil pediu que a gente reprogramasse e não fizesse ontem (terça, 4). Agora, essa ação é um pouco complicada. São áreas conflagradas, não é qualquer uma pessoa que está ali construindo. Você tem problema em determinadas áreas com tráfico, em outras áreas com milícia. Então, são áreas conflagradas, a ação tem que ser muito bem planejada, muito bem feita para não ter ali a integridade física dos servidores ameaçada", afirma o secretário Sebastião Bruno.
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