
06/02/2020
Depois de ter adicionado carvão ativado e argila aos reservatórios do Guandu, numa tentativa de neutralizar a geosmina (substância que tem dado sabor e odor à água), a Cedae agora, por ordem do governador Wilson Witzel, aposta na instalação, em até 60 dias, das chamadas ecobags, que funcionam como ecobarreiras. Elas seriam uma solução paliativa para reduzir a quantidade de esgoto no sistema, desviando a água de quatro rios poluídos, evitando contaminação no Guandu.
A ideia é instalar, perto da área de captação do Guandu, 27 ecobags — colchões preenchidos com areia, cada um com cerca de 20 metros de comprimento. Assim, a Cedae espera impedir que as águas poluídas dos rios Queimados, Poços, Cabuçu e Ipiranga se juntem à do Guandu, considerada pelo governo estadual boa para consumo. O projeto depende de obras de cerca de R$ 10 milhões, segundo o chefe da Casa Civil, André Moura.
— Por ordem do governador Wilson Witzel, está sendo desenvolvido um projeto emergencial de contenção de esgotos despejados nos rios que abastecem nossos reservatórios. Vamos utilizar as ecobags. Os colchões serão fornecidos pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) à Cedae e ficarão perto do ponto de captação. A água do Guandu usada pela Cedae passará por trás da barreira e chegará limpa aos reservatórios — afirmou Moura.
Ainda de acordo com o chefe da Casa Civil, as ecobags são uma solução mais rápida que a construção de uma barragem tradicional, que demoraria um ano e meio. O governo também promete fazer obras para que a água dos rios poluídos sejam conduzidas por tubos a um ponto posterior ao da captação do Guandu.
Mas, para o professor da Coppe/UFRJ Paulo Canedo, a única solução para a crise do abastecimento é investir no saneamento dos rios dos Poços, Ipiranga e Queimados:
— Esses rios estão altamente poluídos. A solução? Só tem uma, não há como fugir do saneamento dos três rios. É uma obra que demora pelo menos quatro anos. Enquanto não tivermos tratamento de esgoto, vamos viver com insegurança.
Na terça-feira, em entrevista coletiva, o presidente da Cedae, Hélio Cabral, afirmou que não há mais geosmina na água que sai dos reservatórios da empresa. Ele não soube dizer quando o fornecimento aos consumidores será normalizado. A estatal foi multada em R$ 100 mil pela agência reguladora do setor justamente por não divulgar laudos sobre a presença da substância, e terá até sexta-feira para apresentar relatórios, sob pena de nova punição.
Na entrevista, Cabral disse ainda que caberá à Polícia Civil identificar se o detergente que tomou conta da área de captação do Guandu vazou de alguma indústria próxima ou se chegou ao local por conta de sabotagem. Segundo Alexandre Pereira, analista de qualidade do Guandu, é a primeira vez que o sistema foi tomado pelo produto.
— Nunca vimos esse material entrar na estação. Quando paramos o sistema, descartamos a água que estava à frente (da captação). Nós detectamos o detergente no fim da tarde de segunda-feira, às três da madrugada não tinha mais a substância e reabrimos a comporta às 9h, depois de testes a cada meia hora — explicou Pereira, que trabalha na estação há 14 anos.
Na terça, equipes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) da Polícia Civil estiveram na estação com técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), para coletar amostras da água.
Fonte: O Globo
Mês dos manguezais expõe desafios ambientais na Barra e Jacarepaguá; saiba o que vem sendo feito
23/07/2026
Livro gratuito sobre a castanheira-da-amazônia é semifinalista do Jabuti
23/07/2026
10 bairros de São Paulo terão troca gratuita de lâmpadas
23/07/2026
Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu no interior de SP há milhões de anos
23/07/2026
Sem predador e com até 20 cm, rã-touro ameaça fauna em Florianópolis
23/07/2026
Área queimada no Brasil cai 58% em 2025
23/07/2026
