
06/02/2020
Um jovem universitário descobriu durante um projeto de iniciação científica novas espécies de serpente e estrela-do-mar, que foram encontradas por meio de fósseis coletados em cidades da região dos Campos Gerais do Paraná.
Pesquisas mostram que a área — atualmente a 200 km do Oceano Atlântico — já foi um dia coberta pelo mar.
O estudante de geologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Malton Carvalho Fraga, 23 anos, fez as descobertas analisando amostras colhidas nas últimas três décadas em cidades como Jaguariaíva e Ponta Grossa.
Os fósseis têm entre 359 milhões e 416 milhões de anos, conforme a pesquisa. Isso significa que os seres vivos catalogados passaram pelo planeta antes mesmo dos dinossauros.
Malton conta que antes de iniciar a análise das amostras descobriu que nenhum pesquisador havia publicado material sobre os tipos de fósseis coletados no Paraná em mais de 100 anos, o que chamou a atenção.
"A única vez que alguém descreveu espécies desses fósseis no Paraná foi em 1913. Nos últimos anos, o pessoal coletava com frequência fósseis desses animais", diz o estudante.
O universitário notou que as coletas dos fósseis foram atribuídas a espécies que já eram conhecidas. No entanto, fazendo a análise das amostras, encontrou diferenças.
"Quando eu sentei para comparar, ver esqueleto e morfologia, falei: ´opa, tem coisa diferente´. Busquei outras espécies de outros locais, conversei com pesquisadores estrangeiros e vi que eram duas espécies novas", conta.
A pesquisa teve a orientação da professora e paleontóloga do Departamento de Geologia da UFPR Cristina Silveira Vega.
As amostras de espécies marinhas foram encontradas em cidades que estão atualmente a, pelo menos, 200 km de distância do oceano.
Os fósseis só confirmam o que é fato para os pesquisadores há algum tempo: a região dos Campos Gerais já foi coberta pelo mar.
"Essa região um dia foi um fundo de mar. Temos vários fósseis que atestam a origem marinha dessa região. Com o estudo dos fósseis e das camadas de rocha conseguimos mostrar isso para o público", explica a professora Cristina Silveira Vega.
A movimentação de placas tectônicas ajudam a explicar como as características de regiões de todo o planeta foram sofrendo alterações durante milhares de ano, e continuam se modificando todos os dias.
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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