
04/02/2020
As imagens são turvas no início. Sedimentos passam pela câmera enquanto Icefin, um submarino robô amarelo operado remotamente, avança pelo gelo. Então, as águas começam a ficar mais claras.
O Icefin está a 600 metros de profundidade e posicionado diante de uma das maiores geleiras do mundo. De repente, uma sombra aparece por cima dele.
Trata-se de uma imagem única — um exemplo de como nosso mundo está mudando rapidamente.
O Icefin chegou ao ponto em que a água quente se encontra com o paredão de gelo na frente da poderosa geleira Thwaites — o local onde essa imensa massa de gelo começa a derreter.
Glaciologistas, especialistas que estudam o gelo, descrevem Thwaites como a geleira "mais importante" do mundo, a geleira "mais perigosa" e até a geleira "do juízo final".
Ela é enorme, aproximadamente do tamanho do Reino Unido.
A geleira Thwaites já responde por 4% da elevação do nível do mar no mundo a cada ano — um número enorme para uma única geleira — e os dados de satélite mostram que ela está derretendo cada vez mais rapidamente.
Essa imensa massa de gelo concentra água suficiente para elevar o nível do mar em mais de meio metro.
A Thwaites se localiza no chamado Manto de Gelo da Antártica Ocidental, uma vasta bacia de gelo que poderia aumentar o nível dos oceanos em três metros.
No entanto, até este ano, ninguém havia realizado uma pesquisa científica em larga escala sobre a geleira.
A equipe Icefin, juntamente com cerca de 40 outros cientistas, faz parte da International Thwaites Glacier Collaboration, um projeto de cinco anos envolvendo vários países e orçado em US$ 50 milhões. O objetivo é entender por que a geleira passa por um processo de transformação tão rápido.
Trata-se do maior e mais complexo programa de campo científico da história da Antártica.
Você pode se surpreender por saber tão pouco sobre uma geleira tão importante — foi assim que me senti quando fui convidado para cobrir o trabalho desta equipe.
Rapidamente, descobri o motivo ao tentar chegar lá.
A neve na pista de gelo atrasa meu voo da Nova Zelândia para McMurdo, a principal estação de pesquisa dos EUA na Antártica.
Este é o primeiro de toda uma série de atrasos e interrupções.
As equipes de cientistas demoram semanas apenas para chegarem aos campos de pesquisa.
Em um determinado momento, toda a pesquisa da temporada esteve prestes a ser cancelada porque as tempestades impediram todos os voos para a Antártica Ocidental a partir de McMurdo por 17 dias consecutivos.
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