
28/01/2020
O vírus da SARS, transmitido por animais, revelou há 17 anos o perigo envolvendo o comércio de espécimes selvagens, uma prática generalizada que, segundo os cientistas, representa um risco significativo para a saúde humana, como evidenciado pela aparição de um novo coronavírus na China.
Assim como o vírus da SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave), esse novo coronavírus, que já causou 56 mortes e afeta quase 2.000 pessoas, pode ter origem em animais silvestres vendidos para consumo humano.
Embora ainda não se tenha chegado a uma conclusão sobre a origem da epidemia, as autoridades de saúde chinesas apontam para espécies selvagens que eram vendidas ilegalmente no mercado de Wuhan, no centro da China.
Nesse mercado eram vendidos animais vivos tão variados quanto ratos, coiotes e salamandras gigantes.
Neste domingo, Pequim anunciou uma proibição temporária do comércio de animais silvestres.
O comércio de carne desses animais, além de contribuir para a destruição de habitats, faz com que os seres humanos tenham contato cada vez mais próximo com vírus que eles carregam e que podem se espalhar rapidamente em nosso mundo ultraconectado, explica Peter Daszak, presidente da EcoHealth Alliance, uma ONG especializada na prevenção de doenças infecciosas.
De acordo com o projeto Global Virome, que visa melhorar a maneira de lidar com as pandemias, existem mais de 1,7 milhão de vírus não descobertos na vida selvagem e quase metade deles pode ser prejudicial aos seres humanos.
"A nova regra será a de pandemias com cada vez mais frequência", disse Daszak, que enfatizou que "estamos cada vez mais em contato com animais portadores desses vírus".
A origem animal de várias doenças infecciosas que surgiram desde os anos 1980 foi estabelecida: o civet - um pequeno carnívoro - para a SARS, que causou centenas de mortes na China e Hong Kong em 2002-2003; o morcego em relação ao ebola; e o macaco na origem do HIV (vírus da aids).
A carne de aves e gado pode estar na origem de doenças como Creutzfeldt-Jakob e gripe aviária.
"Para o futuro das espécies selvagens e para a saúde humana, precisamos reduzir o consumo desses animais", diz Diana Bell, bióloga especializada em doenças e proteção da vida selvagem na Universidade de East Anglia (Reino Unido).
Leia mais no G1
Mês dos manguezais expõe desafios ambientais na Barra e Jacarepaguá; saiba o que vem sendo feito
23/07/2026
Livro gratuito sobre a castanheira-da-amazônia é semifinalista do Jabuti
23/07/2026
10 bairros de São Paulo terão troca gratuita de lâmpadas
23/07/2026
Fóssil raro achado no Brasil revela nova espécie de cobra que viveu no interior de SP há milhões de anos
23/07/2026
Sem predador e com até 20 cm, rã-touro ameaça fauna em Florianópolis
23/07/2026
Área queimada no Brasil cai 58% em 2025
23/07/2026
